Sobre Curitiba Arquivo
marquei almoço. utilizei o indecente horário do meio-dia para que tivéssemos tempo para os belisquetes antes de sentarmo-nos à mesa. meu pai é uma pessoa reservada. ele é incapaz de perguntar qualquer coisa que fira o que julga ser o limite da privacidade, às vezes sofre em silêncio por querer saber pormenores, mas nunca comete indiscrição. suas coisas, ele só conta se forem perguntadas. demorei …
há qualquer coisa bem diferente no quartinho nas últimas semanas. minha facilidade com a escrita convidou o trabalho para uma longa dança e esqueceu que a música é um lance também, e principalmente, do prazer e de outras coisas que se parecem com ele. escorrego os dedos pelo teclado e em segundos sou absorvida por assuntos que não são meus, que se espalham em mim …
dia de início. regime, trabalho, planos, academia. novo curso. gosto de segunda-feira. não sei explicar direito, mas me sinto bem com a chegada de nova semana, tenho a impressão que a vida abre um grande portal para que tudo tenha outra chance. não me importo com os dias que ficaram no passado, olho para o calendário e penso nesse réveillon fora de época, refaço a …
nômade: diz-se daquele que não tem habitação fixa eu sou uma itinerante que riscou nos limites da cidade as possibilidades de endereço. embora tenha paradeiros em paraísos longe daqui, não consigo que a enxada do destino cave fundo a ponto de desprender minhas raízes. Curitiba. volta e meia reúno as tralhas e me mudo. já morei em tantas casas que nem me lembro mais. e …
um dia desses pensei em fazer um lance desses ao vivo que o Facebook inventou. assisti umas pessoas e achei interessante a coisa da interatividade. uma pessoa de um lado, outras de outro, a falar meio coletivamente… aos poucos, feito uma garoa fina, foram chegando as advertências para eu desistir da ideia. primeiro pensei que escrevo, logo não falo. seria um tiro no pé trocar …
amigos de casa e do auditório, tenho notícias. parecem boas. um tanto assustada com a conta de luz e inconformada com o lance de ficar batendo os dentes de frio dentro de casa, resolvi fazer um experimento a partir da dica da minha Vânia. a ideia partiu de um produto muito lindo, que não encontrei por aqui e como o inverno não sabe esperar todos …
não. as pessoas não são mais elegantes no inverno. eu não sou. o normal do visú quando estou em casa: pijama, com meia por cima da calça, pantufa, roupão e cachecol. as vezes touca. sempre puxando o aquecedor pela casa, como se fosse um cãozinho do qual não posso me separar de jeito nenhum. se estou a ler no sofá, imensa taça de vinho, que …
não sou pessoa caprichosa, prendada, rica em detalhes que transformam o lar num ambiente organizado e funcional. a desordem da minha cabeça não permite. se aqui em casa eu fosse buscar uma imagem que me representasse ipsis litteris abriria uma das portas: guarda-roupa, lugar dos potinhos de plástico, geladeira. tudo confuso e cheio de coisas inexplicáveis. é assim que sou, não me orgulho. sábado, movida …
há alguns meses fiz um investimento numa loja de gente que se joga em altas aventuras. entrei, esquisitona e deslocada, em lugar especializado em produtos de alpinismo. comprei calça, meias, blusa e até cachecol para baixas, baixíssimas, temperaturas. alta tecnologia, me falaram. achei que eram providências práticas, inteligentes, duráveis e que não entulhariam guarda-roupa, malas e paciência. as tentativas iniciais aconteceram em dezembro, no inverno …
e pensar que tudo que se refere ao serviço público rolou de maneira positiva e operante e o pepino se deu exatamente na iniciativa privada… porque gosto de detalhes vou tratar de contar a saga. despenquei na delegacia hoje cedo. (antes de continuar, não há como não falar de restos de móveis, pintura descascada, mesas bambas, cadeiras quebradas. eu sei, é uma delegacia e não …