estou quieta aqui. há silêncio.
não escrevo e não leio. fico desenhando.
desenhando. desenhando. desenhando.
são traços infantis, sem técnica e sem compromisso.
gosto da caneta escorregando no papel. mais ainda de repetir folhinhas dessa minha floresta imaginária que vai se compondo num jeito infinito que de repente encontra a beiradinha do papel e estanca.
despretensiosa, passo horas debruçada nessa nova onda que não precisa obedecer nada, se compondo subversiva e quieta.
tenho mais de trinta brincadeiras, todas variações de um mesmo tema. por graça, alguns dizem que eu deveria vender; por compaixão, outros falam que querem comprar; por sorte, tenho noção das coisas.
entre o preto e o branco, vou descobrindo que desenho é como música, o que faz acontecer é o tanto de cada um no papel, como o tanto de silêncio e barulho que formam as canções.
desenho e música são como a vida: um misto do que a gente a faz e o que deixa pra lá.
risco e nada.
barulho e silêncio.
ação e quietude.
tudo em gerúndio.