dia desses tive uma cãibra horrorosa. batata da perna, bem em cima de um machucado da pele, bem onde os deuses não podem ouvir. fiz um escândalo. gritei e chorei, chamei por todos os santos, que dormiam, ou riam, ou olhavam para o outro lado do mundo, não sei bem. minutos depois apareceu meu vizinho, mas a situação já estava controlada e eu fiquei com …
já fazia um bom tempo que não me acontecia coisa parecida. agora pouco fui ao mercado tratar do habitué para o final de semana. as compras são praticamente as mesmas na temporada de sexta-feira, uma coisinha para mais, outra menos a depender do movimento da casa. a pilotar o carrinho passei pelos eternos corredores de todas as semanas. um pouquinho disso, uma porção daquilo, 100 …
tenho as euforias da vida pós-moderna na escrita. não gosto, não é bonito, palatável, ou salutar, mas tenho. umas urgências me invadem e me obrigam a uns textos cheios de açodamento que não permitem o esmero da palavra. anseio, escrevo e publico. não deveria deixar que as inquietudes de morar na web atrapalhassem a construção do meu texto. as ondas da infomaré me conduzem nessa …
tenho algumas dificuldades com a realidade. mantra, já repeti zil vezes. o mundo de verdade me atordoa, me amarra e me amordaça. ou tenta. sou rebelde e enfrento, mas não sem nó na garganta. mas há contradições. agora, por exemplo, enquanto batuco minha sorte, olho pela janela do quartinho e um céu pintado de branco e uns cinzas está aberto aqui na minha frente. a …
tenho preguiça com as coisas da cozinha. tudo que faço diante do fogão tem relação direta com a praticidade. não consigo me aventurar em pratos variados, elaboro aqueles que não demandam muitos acompanhamentos: feijoada, caldeirada, macarronada e outros adas ou nadas que me deixem segura na hora de servir. se contratasse uma cozinheira gostaria que ela fosse o meu oposto e tratasse de entrada, saladas, …
as cortinas da minha casa riem de mim. detesto-as com uma raiva tão grande que a cada brisa que sopra lá fora e elas se sacodem aqui dentro, tenho vontade de pegar uma tesoura e picá-las com todo meu ressentimento. sei o que representam. toda minha incompetência está ali, esticada e limpinha, a se exibir e a pronunciar dia sim e no outro também minhas …
acho que há qualquer coisa de sublime na louça de domingo. diferente daquela empilhação de pratos e copos e talheres e travessas e panelas e xícaras dos vulgares e corriqueiros dias. no domingo a louça é mais elegante, tranquila, surpreendente. é a mesma dos outros seis da semana, mas o humor muda e ela representa mais. se meus pratos falassem, de segunda à sábado, diriam …
sem saber da chuva que chovia nem ligar para a moral dos grandes homens dormia na rede. e o dia passava lá fora sem lembrança porque o sono não era vida nem formava história. sonhava barulho dos sapos passarinhos e água que caía. sonhava com uma baía e uma ilha com grama do continente e uma chaminé que soluçava fumaça azul. e no sonho ouvia …
não posso ser vista nem de frente nem do avesso nem nos olhos nem nos versos nenhuma risca nada sobra de mim sou estrela sem brilho e sem história feia, morta, torta infeliz trajetória nenhuma pista
ando distraída das estatísticas do blog. dou uma olhadinha ou outra nuns números que me chamam muito atenção por conta de caminharem por postagens bem antigas e isso me deixa curiosa. no mais, estou a publicar. hoje acordei interessada a escarafunchar como estão a me tratar os leitores. surpresa! sorria, Adriana, você está sendo lida. pra minha comoção, ultrapassei a marca dos 100 mil. mais, …