publicação urgente

tenho as euforias da vida pós-moderna na escrita. não gosto, não é bonito, palatável, ou salutar, mas tenho. umas urgências me invadem e me obrigam a uns textos cheios de açodamento que não permitem o esmero da palavra. anseio, escrevo e publico. não deveria deixar que as inquietudes de morar na web atrapalhassem a construção do meu texto. as ondas da infomaré me conduzem nessa …

realidade X Pasárgada

tenho algumas dificuldades com a realidade. mantra, já repeti zil vezes. o mundo de verdade me atordoa, me amarra e me amordaça. ou tenta. sou rebelde e enfrento, mas não sem nó na garganta. mas há contradições. agora, por exemplo, enquanto batuco minha sorte, olho pela janela do quartinho e um céu pintado de branco e uns cinzas está aberto aqui na minha frente. a …

câmbio

tenho preguiça com as coisas da cozinha. tudo que faço diante do fogão tem relação direta com a praticidade. não consigo me aventurar em pratos variados, elaboro aqueles que não demandam muitos acompanhamentos: feijoada, caldeirada, macarronada e outros adas ou nadas que me deixem segura na hora de servir. se contratasse uma cozinheira gostaria que ela fosse o meu oposto e tratasse de entrada, saladas, …

as donas da casa

as cortinas da minha casa riem de mim. detesto-as com uma raiva tão grande que a cada brisa que sopra lá fora e elas se sacodem aqui dentro, tenho vontade de pegar uma tesoura e picá-las com todo meu ressentimento. sei o que representam. toda minha incompetência está ali, esticada e limpinha, a se exibir e a pronunciar dia sim e no outro também minhas …

louça de domingo

acho que há qualquer coisa de sublime na louça de domingo. diferente daquela empilhação de pratos e copos e talheres e travessas e panelas e xícaras dos vulgares e corriqueiros dias. no domingo a louça é mais elegante, tranquila, surpreendente. é a mesma dos outros seis da semana, mas o humor muda e ela representa mais. se meus pratos falassem, de segunda à sábado, diriam …

com o infinito ao redor

sem saber da chuva que chovia nem ligar para a moral dos grandes homens dormia na rede. e o dia passava lá fora sem lembrança porque o sono não era vida nem formava história. sonhava barulho dos sapos passarinhos e água que caía. sonhava com uma baía e uma ilha com grama do continente e uma chaminé que soluçava fumaça azul. e no sonho ouvia …

115 mil compassos

ando distraída das estatísticas do blog. dou uma olhadinha ou outra nuns números que me chamam muito atenção por conta de caminharem por postagens bem antigas e isso me deixa curiosa. no mais, estou a publicar. hoje acordei interessada a escarafunchar como estão a me tratar os leitores. surpresa! sorria, Adriana, você está sendo lida. pra minha comoção, ultrapassei a marca dos 100 mil. mais, …

não se apresse na volta

não se volta ao amor assim, machucada não se visita o amor com mágoas novo amor velho amor, amor não merece liquidação dos dramas transbordar de dores memória corroída chansons que derramam pesares e esperanças amordaçadas há de se respeitar o amor e não obrigá-lo a mesquinharias dos outros tempos de todos os tempos para o amor, foro limpo bons tratos. pousá-lo no colo e …

velhar

acho que chega um momento em que a gente fica velho. assim, de um dia pro outro: dorme jovem, acorda velho. e depois disso só continua velhando, conforme aqueles do conto Fita Verde no Cabelo do Rosa “… como velhos e velhas que velhavam…”. o processo do corpo até pode parecer com o de uma maçã muito suculenta que ao passar dos dias ganha cor, …