ai que difícil quando a sexta-feira chega… quando é sexta e ainda é preciso que seja quinta, que se insista a quinta, que se alongue a quinta, que a quinta continue para que se tranque lá dentro tudo que pertence a ela… deveria ser proibido rodar a folhinha sem que as pendengas tivessem sido resolvidas, acabadas, rompidas. à Cesar o que é de César. e …
revirei cidade, essa e outras, atrás de um carrinho de feira. meu objetivo era claro e simples: não forçar braços, coluna e pernas com as compras feitas sem presença de ajudante ou carro. depois de muitas voltas, cheguei ao modelo que, por suposição, observação e leitura, poderia me auxiliar em tão corriqueira tarefa. tipo dobrável, com rodinhas, que sem posição de uso fica do tamanho …
a geladeira da minha casa é espécie de museu. já desisti de adaptá-la como eletrodoméstico útil nesses tempos em que a colheita e a caça podem ficar bem armazenadas para os dias mais difíceis. o elefante parado no meio da cozinha me conta de outros tempos. é testemunha de festas, presentes e esperanças. é um baú de histórias que se renova e se completa sem …
Tenho problemas de visão. Não enxergo muito bem de perto. Como é mesmo o nome disso? O defeito me faz sempre dar dois passos pra trás. Na distância consigo perceber melhor. A vida me parece uma imensa tela impressionista. Se estou envolvida, as pinceladas não têm contorno, viram manchas da realidade, imagens que não me dizem. Preciso sair da cena para poder habitá-la com pureza. …
Estive fora uns dias. Aproveitei a saída para cuidar do espírito. E isso se converteu em descobertas, risadas, brindes, passeios, conversas, silêncios, olhares, bebidas e comidas. Quando eu pensei que os biscoitos holandeses e os chocolates belgas já tinham batido o recorde de um dos sete pecados capitais, veio a culinária francesa e transferi pra ela a responsabilidade pelas polegadas extras que trouxe comigo. Conhecer …
No dia em que meu primeiro filho foi embora de casa meu coração se estilhaçou em silêncio. Não fiz drama, não evoquei as armas das mamas que sacodem tudo em falas de tragédia, não partilhei sofrimento. Silêncio. Fui buscar explicações no juízo e me reconfortei onde montei meu pensamento desde sempre: tive a grande sorte de poder conhecê-lo e conviver com ele por todos esses …
não consegui riscar linha reta entre as férias e a volta para os compromissos. ainda estou em trânsito. perigoso saltar entre dois lugares tão diferentes. e se eu cair no abismo que existe entre as férias e a realidade? nunca mais… por conta disso, pra não sofrer choque que me coloque em risco, ainda flutuo. perambulo devagar, acostumo com a volta e olho para casa …
o calendário avisa: é hora de voltar! reorganizo a bagagem. nenhum excesso, tudo na medida certa. minhas malas chegarão em casa repletas de risadas, descobertas, vinhos, curiosidades, amizade, stroopwafels, generosidade, crepes, lugares, cafés, sorrisos, ameixas, compaixão, fotografias, memórias, histórias, maçãs, motivos, chocolates, ímãs, conversas, planos, táticas, mar, rio, canal, significados, moinhos, verdes, chuvas, azuis, gargalhadas, passado, futuro, amor… tudo vivido às últimas consequências, sem poupar …
há um lugar na minha cabeça em que me refugio as vezes. para as noites de insônia, para as manhãs de chuvosas novidades, para qualquer tempo em que precise ligar radiola e esquecer dos barulhos do mundo. foi hoje, logo hoje, dia de lua de mel, que me tranquei e me escondi em mim mesma. não de propósito, não por escolha, não por vontade. só …
dois dias antes de viajar, caí na pracinha em frente de casa e torci o pé. o outro. o primeiro é todo errado desde os meus 15 anos, volta e meia dá sinais de suas mágoas e revolta-se em inchaços, bobeiras e dorzinhas. agora, o esquerdo inventou que tem o mesmo direito e depois de um tempo de marcha, ele me cochicha na orelha que …