A primeira notícia que vi no jornal hoje cedinho dava conta do coma irreversível de Dominguinhos. Eu tive a sorte, a grande sorte, de conhecê-lo e de me tornar sua amiga e, mais que isso, de tê-lo como amigo. Muitas vezes o recebi em minha casa; tive a honra de dividir café da manhã, almoço e jantar; pude partilhá-lo com minha família; ouvi seus conselhos, …
Eu tenho muitos medos! Medo de aranha, do escuro e da falta de grana Medo de assalto, de tristeza sem fim e de lugares pequenos Tenho medo de ficar doente, de magoar pessoas, de engasgar Medo que me machuquem, de escorregar, de cortar o cabelo Tenho medo de multidões, de água gelada, de andar descalça… Tenho um milhão de medos, mas me acompanha, desde …
Aos quatro anos aprendi a amarrar meus cadarços. Minha vida mudou! Variações da mesma habilidade me servem até hoje para prender laço no cabelo, fechar cintura da saia, segurar biquíni, guardar o carregador do telefone, iniciar costura, fabricar penduricalhos, moldar fitas, ajeitar gravata, fabricar buquês, fingir de marinheiro, emendar corda bamba, dar nó em pingo d’água… O que eu ainda não sei …
As vezes fico escondida em casa. Aqui ninguém me acha. O cobertor é o manto da invisibilidade! Aprendi que quando a gente está muito triste, sem vontade de conversar, sem querer saber do mundo, é melhor se enfiar em casa. Porque ninguém tem muita paciência ou boa vontade com deprê alheia – há de se cuidar das próprias antes. Por isso, quando não …
As vezes me encaixo na frase de Vinícius de Moraes, “tenho tudo pra ser feliz, mas acontece que sou triste”. Em dias melhores, a alegria me invade. Vivo de acordo com a maré, deixo que os ventos soprem e já desisti de agarrar a vida e domá-la. Mas me seguro firme em minhas poucas certezas e só navego em mar transparente. Gosto das palavras, mas …
De vez em quando meu passado vem me visitar. Chega, bate à porta, nem espera resposta e entra. Não diz a que veio, mas me revira, chacoalha, joga pro alto e espera, que como gata, eu caia em pé. Coisas que não lembrava mais, sentimentos que julgava perdidos, peças desse tabuleiro que é minha vida ressurgem. Quem é que pode se separar da própria vida? …
Há alguns anos eu estava em São Paulo, na Livraria da Vila, a fazer hora para uma matéria que um programa da TV Cultura faria comigo. Como estava um bocadinho nervosa, não dei conta de ler (o que seria o mais óbvio para deixar que os ponteiros cumprissem o seu papel e o pessoal da produção ajeitasse tudo). Fui para as estantes infantis vasculhar. Puxei …
Logo que assumi a diretoria das rádios e-Paraná alguém falou que minha gestão seria um atraso para emissora porque eu sabia até a data de batismo do Paulinho da Viola. Que falha, a minha. Bem que gostaria, mas não sei. Eu amo o Paulinho da Viola. Adoro tudo: a voz, o jeito, as músicas, suas maneiras chiques, seu jeito educado, fino, requintado… tudo que conheci nele, …
Carla querida, Você, mais do que eu, sabe bem que a vida dá voltas, que o mundo gira, que a roda anda… Você, mais do que eu, conhece os caminhos da mudança, da troca, das novas possibilidades… Você têm grandes asas, voa para outras paragens, aceita desafios, se joga. Troca de roupa, de endereço, de trabalho, de vida. Tem a coragem dos mergulhadores e a …
Eu precisava comprar uma cadeira. Coisa simples, sem estofamento, sem cor, sem truques, sem voltas. Cadeira daquele tipo que antigamente se usava de par com as maravilhosas e úteis e belas escrivaninhas. Pois bem, sem grana e com a tarefa a ser vencida, fui ao centro velho ali pelas imediações do Paço da Liberdade: comércio super popular, brechós, bares, biroscas, putas. O carro? No estacionamento. …