só por hoje


todas as manhãs, quando sento na varanda para o café, penso no desafio sem fim de ser uma pessoa melhor.
só por hoje, repito.
e tento me livrar dos preconceitos, dos julgamentos, dos estereótipos.
tento, só nesta quinta-feira, e nenhum dia a mais, respirar fundo e esquecer que acho que fui vítima de injustiças de ordens diferentes.
planejo, apenas para as próximas horas, não querer perdoar nada nem ninguém porque o perdão, esse gesto entupido de soberba e autoridade, me coloca acima de qualquer coisa.
quando levanto a xícara as 5:35 estou transbordando de calmaria e aflições, de silêncios e turbulência, de fé e consciência. faço uma reza que se repete há muitas décadas: vamos, Adriana, vamos em frente, enfrente.

eu não sou a Adriana. sei que este nome que não escolhi combina com o que cada um, cada uma, escolheu para mim.
Adriana tem significados diferentes, sugestões variadas, possibilidades múltiplas.
Adriana é o que cada um quer que ela seja. por isso, lhe dou café todos os dias e a convido para caminhar.

de tanto repetir isso, de tanto conviver com ela, às vezes é bastante fácil me confundir e acabar acreditando que Adriana sou eu.

preciso, todas as manhãs, no espelho do ar fresco e do silêncio, puxar fôlego, soltar de sua mão por alguns instantes e lembrar…
depois, puxo-a para dançar comigo mais uma vez.
só por hoje, vamos.

quer comentar? não se acanhe.

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