o VAR é um banho de água fria, umas algemas na emoção, um empata com V maiúsculo.
é estranho gritar gol, quase comemorar, parar, esperar, esperar, esperar e depois gritar gol de novo e comemorar de novo como se fosse uma explosão espontânea.
detesto o VAR!
no intervalo entre uns jogos e outros, fiquei pensando sobre aquela teoria de que o que não gostamos no outro é, justamente, aquilo que mais nos incomoda em nós mesmos.
é a essência, muito mal resumida, da Teoria da Projeção criada pelo Jung.
funciona assim: a nossa cabecinha reprime traços, sentimentos, desejos, pistas, qualquer tiquinho de coisa que considere inaceitável em nós mesmos.
depois, quando percebemos que o que foi trancado em nós está em outra pessoa, questão imediata, rejeitamos com força.
em vez de lidar com a falha dentro de nós mesmos, é melhor criticar, apontar e lançar artilharia.
atiro contra o VAR!
não importa o que esteja acontecendo em minha vida, o quão feliz ou triste eu esteja, o tamanho da coisa que exploda dentro de mim. não importa nada. sempre dou um jeito de parar tudo e analisar.
é uma insegurança que foi identificada nas linhas de Freud e com o tratamento decaptado ainda em fase muito inicial.
tenho esse problema. eu nunca acredito de prima, maneira pura. sempre preciso do VAR para olhar por vários ângulos, medir, analisar, interpretar, julgar.
é cansativo e um pouco sofrido.
anular um gol com o VAR não dói menos do que fazer isso durante o chute. aceitar a jogada depois da análise não é melhor do que no momento em que ela acontece.
o VAR não ajuda nem melhora nada. ele ilude afirmando que com ele não há enganos, não há falhas.
o VAR é um pretensioso ridículo que não sabe que há mais emoção e chances de erros e acertos no jogo inteiro do que numa ou duas situações. e onde a emoção e as chances de acertos e erros estão não existe análise capaz de transformar em perfeição o que, por natureza, é deliciosamente desarrumado.
vamos acabar com o VAR!
