Sobre Curitiba Arquivo
nessa semana teve inauguração de exposição no MON. Jaime Lerner e seus 50 anos de arquitetura, de criações. entre tantos feitos (que melhoraram a vida de gente que nem sabe de sua mão em suas rotinas), lançamento de livro. trabalhei no livro. com felicidade e cuidado fui ouvinte e leitora de Lerner em histórias infinitas, suas viagens sentimentais, confissões de amor e respeito …
depois de longa temporada sem tirar o nariz de casa, saí. ainda bem! o Paiol estava apinhado de gente. escadas, cadeiras atrás do palco, gargarejo, última fila, tudo tomado. já tinha visto o espetáculo Noël algumas primaveras atrás, acho que em 2006 na Reitoria. lembro bem que gostei, me diverti, ri. não cantei porque cantar só em casa, ninguém tem nada com isso – cometo …
pode ser que eu esteja enganada, até é bem provável se considerar minha crônica burrice a respeito de tudo que anda, voa ou se arrasta, mas tenho a impressão, desde sábado à noite, que um vizinho me espia. o lance começou quando eu lia na poltrona da sala. era noite e por conta de um ventinho perturbador levantei para fechar a janela. como de costume …
gosto dos prazeres da pele. maquino maneiras de perceber júbilo nas coisas mais simples: sapato confortável, textura de roupa, temperatura ambiente, móveis satisfatórios. é importante esse reconhecimento em tempo integral, ele me revela o agradável mesmo quando o resto não diz lá grande coisa. não sei se é por conta de tez tão sensível às mais discretas variações ou se seria igual, ainda que tivesse …
a cidade de Salvador é, pra mim, um estado. de espírito. lugar que povoa minha imaginação de forma muito descolada da realidade de uma metrópole em que quase três milhões de pessoas vão e vêm. a Salvador de toda minha vida tem baianas do tempo do imperador; acordam em trajes brancos, rendados, rodados e adocicam tudo com aquele jeito manso de falar, um acarajé …
há muito que ouço por aí sobre como as pessoas são brutas, não se olham, não se ouvem, não se gostam, não se reconhecem. acho que são pequenos rios que vão em direção a um grande mar de confusão, lugar em que procuro nunca mergulhar. exemplo: tempos atrás estava com Lívia no mercado. no caixa, à nossa frente, uma moça com compras para uma …
chega um dia em que o público muda. hoje a casa esteve cheia. primeira vez desse jeito tão diferente. o caso se deu por conta do aniversário da Lívia e da vontade da Rafa em lhe fazer festa surpresa. não sei precisar o número de guris e gurias que passaram por aqui, mas foram muitos. muitas vozes. altas vozes. risadas, conversas, refrigerante no chão, bolo …
cumpri com o dever, exerci o direito. passei na zona, conversei com meus simpáticos e divertidos mesários. rimos e batemos papo rápido sobre chatices e coisas legais. nos despedimos com o compromisso de nos vermos no dia 26. três da tarde. fome. da urna direto para o café. me sentei sozinha e sozinha escolhi meu almoço. comi acompanhada do Sir Conan Doyle que, acidentalmente …
há dois domingos não vou à feira. a casa se mantém abastecida porque tratei das urgências da fruteira no Mercado Municipal semana passada e no Festval na retrasada. mas a falta do passeio começa a me espiar. gosto das voltas e do clima do MMunicipal, as pessoas conversam muito, há provas de todos os sabores, cafés cheirosos, assobios, novidades nas lojas de bebida, queijos, castanhas, …
tenho horror e vergonha de uma cafonice que vira e mexe bate na minha porta. sem crivo, me desprendo, me encho de gentilezas, “entre, fique à vontade”, e me esbaldo. escuto música o tempo todo e sei bem do que gosto e do que não gosto – e dos respectivos porquês. mas é estranhíssimo quando alguma coisa atravessa essa muralha construída naturalmente com sensibilidade, …