me foi solicitado o que diz o título deste post. já no início da tarefa, a primeira pedra do caminho: sou confusa a respeito das palavras breve, biografia e autora. breve: adjetivo de dois gêneros que vem do latim. brevis, no sentido de ‘que tem pouco espaço, que tem pequena estatura, que é de pouca duração, conciso, preciso’. biografia: substantivo feminino, pulou do grego pra cá. bios no sentido de ‘vida’ + graphḗ, no sentido de ‘escrita, convenção, documento, descrição’. autora: nem existe, o dicionário …
achei bonito este título, embora não seja verdadeiro. o mais correto seria escrever apenas ‘o que aprendi’, mas não teria tanta força diante dos relatos que me propus a escrever em livro.aceitei a ideia de tratar a longa novela da minha vida assim com as páginas todas abertas porque não há outra alternativa. para poder continuar o caminho, preciso dizer quem sou e tudo o …
uns dias antes do Natal, tive uma contratura muscular. o lance começou no pescoço, escorregou pelo ombro, com o passar das horas, desfilou pelo meu corpo. no final da tarde, eu não conseguia levantar o braço direito e mal dava para caminhar. tomei providências – com agulhas e massagem. tomei remédios – com analgésicos e anti-inflamatórios. melhorei um pouco. mas ainda sinto o peso nos …
contar histórias é o que os escritores fazem. marcam a existência a registrar a vida deste e de outros tempos para o presente e o futuro. acho isso bonito e generoso. a cadeia de palavras enfileiradas nos acontecimentos, reais ou imaginários, relatam dores, tristezas, dificuldade. relatam também alegrias, descobertas, mansidões. um escritor de verdade só sabe cavar imensos buracos em sua alma atrás de mais …
retorno a mimfica para trás a temporadade olhos extensos, preocupações alheias,taças ao alto e farelos de frutas solitárias. volto ao egoístico excêntricoao centro, ao umbigoo meio, a campainha.na memória, os dias que não são mais,as alfaces lavadas,a divisão do pão,o guardanapo azul. deixo preso no calendário o cheiro de jasmim,o apito da chaleira, as aquarelas,nanquim,todas as chansonse esta casa que nunca foi minha. esqueço as memórias,rasgo as cartas,picoto todas …
na ponta do lápis reescrevo os dias. tentativa inútil e incessante de remontar a história. pequenas notas, palavras soltas, frases perdidas, anotações nas margens, tudo a serviço das memórias que devem ser varridas para fora. escrever é o jeito de arrancar esses pensamentos flutuantes que formam redemoinho sufocante. e é o paradoxo, fixa para sempre cada palavra que representa meu naufrágio. percebo na composição do …
pelo chão poesias que foram minhasentregues, assim, ao acasodos dias,situações,bocas,das linhas. esparramadas no papel todas as vinhasescritas, assim, no descasoo passado,colisões ocastodas minhas. jogadas no túnel de mentirascada uma das palavrasescritas,faladas,pensadas,sozinhas.
todo cérebro de vertebrado tem dois pequenos grãos que levam o repetitivo nome de amígdalas. não são aquelas do pescoço.as amígdalas, que oportunamente são anagrama de amigas, têm a importante função de alerta, são a semente do medo, do susto, da vigília. são elas que gritam eufóricas: cuidado, meu bem, há perigo na esquina. minhas amígdalas brotaram.passaram daquele embrião camarada para uma poderosa árvore que sombreia …
penso na última letra. na zeta de minha vida, aquela que encerrará um ciclo que não teve motivo de início e da mesma forma se despedirá solitário e caído sem alterar o curso dos homens. a última carta garantirá que terminei a rotação dentro da escrita. mesmo que ela seja assim, modo particular, com destinatários muito íntimos e que já não precisarão de minhas derradeiras palavras. nessa …
por um tipo de comodidade e jeito natural do pensamento tratei de me colocar no lugar de cronista. não que eu me considere uma expert no assunto ou alguém que pode tratar do tema com o queixo na linha do horizonte. me debato muito ao ler algumas coisas e tenho vontade de rasgar o computador em mil pedaços e desligar qualquer folha em branco que …