atenção gente boa desse Brasil branco, preto, mulato, lindo como a pele macia de Oxum… cá estou para estender convite. a Ieda abriu as portas do Wonka e me chamou para fazer parte do seu, como direi, violento sarau, o Vox Urbe. para melhorar minha vida e meus textos, reuniu uma turma da pesada: Lais Mann, Inés Gutiérrez, Etel Frota, Lina Faria, Rogéria Holtz, Paulo …
uma das coisas estranhas deste lado do oceano é a forma direta que se avalia o status de uma pessoa pelo carro que ela tem. o pior vem depois, a partir desta classificação absurda, é estendida uma faixa para dizer quem ela é. ai que preguiça! por conta de vários pormenores que rastejam lado a lado, decidi que não terei mais carro. chega! não quero …
minhas prendas domésticas são restritas, têm limites muito bem marcados e qualquer distraído que entre aqui num dia vulgar pode percebê-las sem muito esforço. a casa tem certo movimento, amigos e amigos dos filhos chegam sem hora marcada e improvisamos conforme a necessidade do momento. não sou boa cozinheira, mas tenho alguns truques na manga. procuro mantê-los vivos para emergências de qualquer ordem. hoje, serviço …
tenho cá meus problemas com os donos das verdades absolutas. eles são chatos, cheios de limites. restringem o mundo, as coisas do mundo, a um quadrado nada elástico e o que é válido tem que caber ali. criticam, sangue nos olhos, quem pensa diferente. não conhecem bem o significado da palavra respeito e estão completamente afinados com a intolerância. os donos das verdades absolutas gostam …
amiga de todos os carnavais me sugeriu que fizesse, próprio punho e forma particular, uma retrospectiva de 2015. disse para eu inventar umas colunas e tratar de preenche-las: alegrias, tristezas, frustrações, vitórias, negações, viagens, brigas, presentes e por aí segue. obediente e adoradora de listas, tratei de fazer a viagem de volta e caminhei pela memória. ao fazer as anotações saquei que tantas intensidades amontoadas …
há alguns anos estava com Dé em Paris. era verão, muito verão. um calor cuiabano distorcia a paisagem e todo mundo procurava jeito de amenizar os 40 graus que vinham pelo ar, batiam no asfalto e aumentavam no andar. era dia de museu. pela terceira vez o Dé entrava no Louvre. eu, seduzida por um flautista que soprava ternuras no corredor externo do museu e …
quem são os donos das malas que dão mais de duas voltas nas esteiras dos aeroportos? por que a minha bagagem demora a eternidade para se arrastar deitada, ponta-cabeça, estrupiada e cansada até que me olhe aliviada? não importa o tipo de etiqueta, a cor, o número de fitinhas, identificação, recados. não importa nada!, minhas malas sempre chegam depois e inevitavelmente com um ar desmoralizado, …
pode ser que seja este o último dia da vida e eu, confusa, caminhe pela cidade a procurar a saída desta noite escura a testar todas as chaves no que conheço como única fechadura ou me jogue, sem rede, de toda esta altura de onde vivo, sem saber, a grande, irreparável, inconcebível, loucura. pode ser que seja este o último dia da vida e eu, …
ando tão distraída nas últimas semanas que perdi a aflição da escrita. tudo e nada me envolvem de um jeito que acabo em silêncio. invento histórias para as imagens que vejo da varanda, cada um dos vizinhos ou passantes tem um universo muito amplo a partir do meu olhar. cada um deve ter mesmo, mas as fantasias que me brotam vão além de suas realidades. …
nas voltas pela França, dessa vez com tempo mais alongado para fruir os prazeres com calma e atenção, conheci amor definitivo. o que mais me impressionou foi a empatia, a maneira precisa como ele compreendeu minhas vontades e dedicou-se a me fazer feliz. não sei se dei o devido valor na primeira taça, mas na medida em que o tempo passou, fui compreendendo melhor as …