não é reclamação à toa, nem mau humor sem motivo, mas alguma coisa acontece com o paladar da humanidade. e eu não estou conseguindo acompanhar. no mercado, à procura do alimento salvador das noites de preguiça, fui comprar pipoca. pipoca de microondas, claro, porque quando eu digo preguiça eu quero dizer preguiça mesmo. encaro bem as variações ligth, manteiga e até manteiga de cinema. fora …
procuro por um tempo onde não precise distribuir explicações inúteis ou novidades que se esparramam como água em cima de guarda-chuva. nesses dias de comemorações infinitas e inumeráveis mensagens, queria só ficar quietinha e aproveitar do silêncio dos generosos que me deixam acomodada, confortavelmente acomodada, na mansidão da compreensão. mora em mim o desejo da ausência, o capricho da existência plácida e da paz universal …
me disseram que a idade, as experiências vividas no passar dos anos fazem a gente mudar. acredito. tenho provas. vivo momento de mudança. até ontem, antes de ontem, fração mínima na minha história, eu tinha grande curiosidade pelo humano. gostava de conversar, de observar, de notar diferenças e semelhanças. cada um dos bilhões do planeta me atraía. era um jeito de saber de limites, de …
não sei dizer direito sobre os caminhos e lógicas da adolescência. tirando a minha, que não foi das melhores, tenho me saído bem. o Dé nunca me deu muito trabalho. piá sossegado que sabia bem direitinho como não envelhecer a mamãe antes do tempo. a Lívia está firme na parada, vez ou outra tem uma oscilação de humor, o que não é nada diante de …
estava aqui meio de bobeira meio com precisão de fazer umas coisas pré-natal. como havia tempo e alguma disposição, saí. coisa boa é sair sem destino certo, sem hora para voltar, sem lugar para chegar. a ideia inicial de me envolver com as obrigações de dezembro logo se dissipou e eu já estava entregue à liberdade. marchei com o único propósito de não ter …
nessa semana teve inauguração de exposição no MON. Jaime Lerner e seus 50 anos de arquitetura, de criações. entre tantos feitos (que melhoraram a vida de gente que nem sabe de sua mão em suas rotinas), lançamento de livro. trabalhei no livro. com felicidade e cuidado fui ouvinte e leitora de Lerner em histórias infinitas, suas viagens sentimentais, confissões de amor e respeito …
dia desses me perguntaram por que cargas d´água eu não usava o espaço que me é destinado na revista Ideias para descer a lenha em coisas ruins que pipocam em nossa música todos os dias, todas as horas, todos os minutos. não gosto de perder tempo e energia com coisa ruim. minha resposta é simples, direta e sincera. mas não convence. parece que há uma …
primeira vez que engravidei queria que fosse um menino. foi. e nos demos tão bem, ele era tão bacana, que achei que seria bom que todos os meus filhos, fossem quantos fossem, sempre viessem meninos. segunda vez, na primeiro eco que contava sobre o assunto, fui apresentada à Lívia. fiquei tão feliz, que duvidei do passado e achei que sempre havia sonhado ter filha, ser …
como carnes, peixes, aves. gosto de tudo que anda, nada, voa ou se arrasta. estômago de avestruz, que como também. mas tem uma coisa, esse lance de churrascaria é mesmo parada selvagem. sushi, sashimi, bacalhau, risoto de não sei quê e rodízio de carnes, de carnes e massas, de carnes, massas e sobremesas. ninguém é obrigado a nada, claro, cada um que dê jeito de …
depois de longa temporada sem tirar o nariz de casa, saí. ainda bem! o Paiol estava apinhado de gente. escadas, cadeiras atrás do palco, gargarejo, última fila, tudo tomado. já tinha visto o espetáculo Noël algumas primaveras atrás, acho que em 2006 na Reitoria. lembro bem que gostei, me diverti, ri. não cantei porque cantar só em casa, ninguém tem nada com isso – cometo …