descombinações gastronômicas

não é reclamação à toa, nem mau humor sem motivo, mas alguma coisa acontece com o paladar da humanidade. e eu não estou conseguindo acompanhar.


no mercado, à procura do alimento salvador das noites de preguiça, fui comprar pipoca. pipoca de microondas, claro, porque quando eu digo preguiça eu quero dizer preguiça mesmo. encaro bem as variações ligth, manteiga e até manteiga de cinema. fora isso, é passar do ponto. pipoca sabor calabresa? cebola? queijo? pra que isso, minha gente? tem mais, pipoca doce só vale a do pipoqueiro da praça, em casa não dá certo e não há motivos para tentar. 
 
outra coisa, quem gosta de açaí, por que cargas d’água não come açaí e fim? guaraná sabor açaí é quase a mesma coisa que limão sabor maçã ou feijoada sabor salmão. 
 
também tem a turma dos encontros improváveis. distraidamente coloquei no carrinho inocente patê de berinjela. quando cheguei em casa é que percebi: berinjela com cheddar. outras horrorosas e tão saudadas são aquelas que se abraçam ao sabor ervas finas: requeijão, biscoito, torrada, molhos, caldo de legumes, etc, etc, etc. aposto que quase ninguém sabe quais são as tais ervas finas e se elas sempre são as mesmas, um conjunto proporcionalmente calculado, medido, pesado, estudado – metodologia científica, ABNT. claro que não, né? 
 
pizzaria que tem mais de 100 sabores? tô fora! não há chef ou criatividade humana capaz de ramificações tão grandes com sucesso. 
e a pastelaria? vamos continuar concentrados nos clássicos que eles são capazes de agradar a todos: carne, queijo, palmito e camarão. pronto! qualquer letra a mais é supérflua. 
 
já vi, não comi, ouvi falar dos estapafúrdios casais chocolate com pimenta, banana com bacon e conchiglione de figo. nenhuma necessidade dessas coisas. 
 
podem me chamar de conservadora, mas caipirinha pra mim é a de limão. com maracujá, morango, lima, laranja ou qualquer outra fruta, são drinks que devem levar um nome muito diferente. e não podem usar o mesmo copo com o palito de sorvete para mexer, isso faz parte do patrimônio original e não deve ser misturado com as vulgares variações. 
 
mas nada, nada se compara ao sushi de Nutella. pensa bem, é como tascar uma colherada de arroz no prato e outra de creme de avelã com chocolate, misturar e comer. você faria/faz isso em casa? eca!
 
e chega de pensar em coisas desagradáveis, porque hoje é sábado e sábado é dia de feijoada, feijoada completa, claro. 
 
 

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