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turismo de compras

a considerar meu pacato modo de vida e minhas opções, não dá para me qualificar como um tipo consumista. mas tenho umas coisas que às vezes fogem do controle. acompanhe. fui passar uns poucos dias de repouso em praia longe de tudo que não conhece a palavra shopping. o comércio local fecha na hora do almoço, mesmo no auge da temporada. as lojinhas de ocasião …

aprender a morrer

estou a sonhar com os dias de Antonina. aqueles que passam calmos e duram muito, se alongam em minutos e giram preguiçosos no relógio. saudade do ar sufocante que de vez em quando é cortado por uma brisa leve que vem não sei de onde e some no sopapo do calorão que abafa, inibe, mata de tédio. tenho vontade de ficar naquela velha varanda a …

Versailles, vexames

estava bem frio. mais de meio-dia e o trubisco do telefone marcava três graus negativos. mas o iPhone não conhece os elementos, não sabe como a situação pode piorar muito longe da cidade. eu sentia um frio russo. não estava triste. ao contrário, passear pelos jardins de Versailles numa segunda-feira no meio do dia, na solidão das passadas, com sol azul e céu brilhante me …

viajando sozinha

eu caminho. minha natureza é de pedestre, gosto de estar pra lá e pra cá na independência das passadas. quando viajo há mais prazer na atividade. caminhar sozinha pelo mundo tem umas características que não sei explicar em detalhes nem fazer analogias para o bom entendimento, mas as sinto com muita força. o grande prazer é que tudo é escolha própria. e essa autonomia é …

Paris, mon amour

parece que tudo vai oscilar entre 4 e 9 graus. dia curto, frio longo, tempo úmido. as folhas estarão naquele dourado outonal, na cor mais bonita, na reflexão mais viva da finitude. Magritte marcou um encontro. disse que me espera no Pompidou. um misto de medo e fascínio me ligam a ele. toda vez que o vejo preciso me esforçar para esquecer essa porção esquisita …

no aeroporto

estou aqui, paciente e emocionada, num chá de cadeira de aeroporto. quem espera avião chegar não tem tomada para carregar os apetrechos. me distraio facilmente com o movimento e isso mantém o livro fechado dentro da bolsa. eu gosto de ver as pessoas chegando. acho bonito. sorriso, abraço, início de falação. na minha permanência todos os voos vêm de São Paulo. mas eu sei, as …

eu criança

quando eu era criança queria crescer. só isso. meu sonho era ser adulta. ser adulta para poder ser o que eu quisesse, tipo caminhoneira ou carteira. se for ver bem, desde pequena o que eu queria mesmo era ser livre. na minha cabecinha, gente grande só fazia o que bem tivesse vontade. sem regras, sem ordens, sem amarras. eu queria mesmo era cuidar do meu …

sem destino

não dá para ficar. eu não consigo. é da minha natureza ir, seguir, sair. sim, é também voltar. nesse ano visitei Paris, Zurique, Londres, Antonina, Paranaguá, Buenos Aires… por conta do movimento, perdi o verão. caminhei contra o favorito, a terra girava pra um lado e eu a andar para outro. casacos, calças e meias, muitas meias. chuva, frio e todos os tons de cinza. …

neste dia – o que as memórias do Facebook me contam

estou a viver em dois tempos, hoje e ontens. todos os dias olho para o aplicativo do Facebook para descobrir o que eu estava fazendo há um ano, há dois, três, quatro anos. retiro a coberta do tempo e descubro minhas memórias. é um exercício interessante lembrar precisamente do que me acontecia em datas específicas, que construíram páginas importantes da vida. meu diário virtual é eficaz. …

no paraíso

amanhecer em Antonina é como despencar do sonho para uma realidade onírica. tudo passa de um jeito diferente e eu reafirmo a certeza de que a vida é mais, muito mais, da que alcança meu cotidiano de cidade grande. acho graça em ouvir galos preguiçosos que cantam para a chegada do dia. são expertos, esperam que o sol esteja alto no céu para começar a …

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