memória Arquivo

a ciranda das coisas

passei boa parte da tarde/noite de sábado a arrumar tranqueiras em casa. um cômodo. um milhão de coisas. o quarto que foi do Dé estava se transformando numa imensa sala de jogos. Lívia e eu abríamos a porta e jogávamos tudo quanto é tipo de tranqueira ali. não havia mais condições de trânsito. nem de parada. me enchi de coragem, puxei fôlego, arregacei as mangas …

retrospectiva 2015

amiga de todos os carnavais me sugeriu que fizesse, próprio punho e forma particular, uma retrospectiva de 2015. disse para eu inventar umas colunas e tratar de preenche-las: alegrias, tristezas, frustrações, vitórias, negações, viagens, brigas, presentes e por aí segue. obediente e adoradora de listas, tratei de fazer a viagem de volta e caminhei pela memória. ao fazer as anotações saquei que tantas intensidades amontoadas …

esquecimento

tenho andado preocupada com minha memória. nunca fui muito boa com nomes, datas, acontecimentos. frequentemente sou capaz de esquecer coisas como o nome daquela japonesa que foi casada com John Lennon ou do compositor de Aquarela do Brasil, mas isso não é novidade. é traço genético mesmo, algum erro eu acho, sempre fui assim. minhas lembranças se dão a partir de outras ordens. sou um …

bem além de mim

recebi fotos de viagem. diversas. minha irmã parece que sabe a hora exata para fazer as coisas. quando meu olhar estava mais para a próxima viagem que para a anterior, mais ao longe do que o que ainda está tão pertinho, ela me manda correspondência imensa com nossa memória de Salvador. curioso reparar em algumas coisas. a comunhão com o mar realmente me faz outra. …

o Noviski e eu

teve uma época da minha vida que queria matar o Noviski. ele me enlouquecia. não brigava, não dizia, não usava de sarcasmo ou cinismo comigo, mas me enlouquecia. o contraditório é que eu não conseguia ficar longe dele. não desfazia o laço, não virava a página, não parava, não retrocedia… eu gostava muito do Noviski para o corte. quando terminamos nosso trabalho, eu estava exaurida. …

rosal

“a vida não passa de uma longa perda de tudo que amamos”, Victor Hugo. todos os dias me despeço. de tudo. o anoitecer é o adeus ao dia, é o aumento da distância da infância, do primeiro amor, dos filhos pequenos. o anoitecer é dizer mais uma vez, reafirmar de aceno, que aquele sorriso foi embora, que o brilho do olhar virou, que há um …

o contrário de desapego

me rendo. não tenho desenvoltura para resolver coisas simples. imagine as outras… sempre que quis trocar de carteira um imenso caos se instalou por aqui. a primeira coisa é a coragem de abandonar a companheirinha de tantas aventuras e desventuras. todas as carteiras que tive passaram a fazer parte dos meus passos, conheceram minhas bolsas, viajaram comigo, olharam lugares, desembolsaram quantias em livrarias, mercados, postos de …

infância premiada

é sorte maior, daquela de loteria, ser neta da minha vó. ela não está mais por aqui. mas ainda é tão minha avó que a sinto muito presente e vira e mexe ela me surpreende com uma presença no caminho, um cheiro, uma lembrança, uma imagem, um quadro. a Rosa, minha avó materna, não foi abrasileirada com esse nome à toa. o original era Ruschka (não …

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