Sobre Curitiba Arquivo

a queda

sou estabanada. desde sempre. tropeço, esbarro, derrubo. até hoje não consegui identificar se é um problema de noção corporal ou uma coisa que vive desligada porque me distraio olhando o mundo e esqueço de prestar atenção nos detalhes ordinários. aos 15 anos, quebrei meu tornozelo. não foi culpa minha. saltei de paraquedas e tudo tinha dado certo, mas quando estava chegando no chão, o vento …

caminhada no parque

tenho ido caminhar no parque. de manhã. bem cedo. gosto bastante, me sinto saudável e atleta. enfio os fones de ouvido, encho os pulmões de ar e me jogo na pista, passadas largas, ligeiras e ritmo constante. fico orgulhosa da desportista que mora em mim e, finalmente, resolveu se apresentar para o combate. em alguns dias consegui observar uma certa hierarquia nos espaços. por partes. …

festa imodesta

não poderia ter acontecido em outro lugar, em outro dia, com outras companhias. não dava para ser diferente. até eu, que nego o destino e acho que cavo dia após dia minhas escolhas, tenho que dar a mão à palmatória e me redimir desse pensamento tão cartesiano. fui vítima do bom destino em toda sua glória e resplendor. lançar livro não é coisa fácil pra …

lançamento de livro

há um ano, eu passava pela deliciosa experiência de lançar livro. revi pessoas, conheci outras, amigos queridos apareceram e me fizeram sentir felicidade do tamanho do mundo. nem no sonho mais otimista eu pude imaginar que seria tão bacana. juro. mas antes dos vinhos, tive muitos e muitos tombos. foi uma prova de resistência conseguir chegar àquele iluminado 26 de novembro. explico. não achava possível …

no aeroporto

estou aqui, paciente e emocionada, num chá de cadeira de aeroporto. quem espera avião chegar não tem tomada para carregar os apetrechos. me distraio facilmente com o movimento e isso mantém o livro fechado dentro da bolsa. eu gosto de ver as pessoas chegando. acho bonito. sorriso, abraço, início de falação. na minha permanência todos os voos vêm de São Paulo. mas eu sei, as …

chove, chuva

gosto desses trovões que despencam do céu, rasgam o murmurinho da cidade com o estrondo que dispara o coração, silêncio de meio segundo, e fazem lembrar que tem roupa no varal, embora eu não tenha quintal. rápido, as janelas estão abertas. esse prenúncio de que a chuva cairá forte e logo estará a correr deitada, afogando meio-fio, lavando o asfalto. esse destino de cidade encharcada. …

fim de inverno

sinto esse calorzinho de agosto. está no ar, nas flores amarelas dos ipês, no sol, na roupa de cama com uma coberta a menos. está na peça que há muito não desfila pelas ruas tirada hoje do guarda-roupa. está nesse humor que se renova e no Mozart que gira lindo, animado, allegro, mas não muito… gostoso poder esticar o corpo que estava todo atrofiado, encolhido …

endereço: no pé do arco-íris

nômade: diz-se daquele que não tem habitação fixa eu sou uma itinerante que riscou nos limites da cidade as possibilidades de endereço. embora tenha paradeiros em paraísos longe daqui, não consigo que a enxada do destino cave fundo a ponto de desprender minhas raízes. Curitiba. volta e meia reúno as tralhas e me mudo. já morei em tantas casas que nem me lembro mais. e …

perdeu, Copel

amigos de casa e do auditório, tenho notícias. parecem boas. um tanto assustada com a conta de luz e inconformada com o lance de ficar batendo os dentes de frio dentro de casa, resolvi fazer um experimento a partir da dica da minha Vânia. a ideia partiu de um produto muito lindo, que não encontrei por aqui e como o inverno não sabe esperar todos …

elegância no inverno

não. as pessoas não são mais elegantes no inverno. eu não sou. o normal do visú quando estou em casa: pijama, com meia por cima da calça, pantufa, roupão e cachecol. as vezes touca. sempre puxando o aquecedor pela casa, como se fosse um cãozinho do qual não posso me separar de jeito nenhum. se estou a ler no sofá, imensa taça de vinho, que …

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