casa Arquivo

presa no elevador

não vi a vida passar na minha cabeça como num filme. não consegui pensar nos filhos. não lamentei a esperança do porvir. fiquei num vazio sem passado e sem futuro. presa num presente, num tempo indefinível em que me olhava descabelada no espelho a achar que ia morrer. depois de uma dezena de solavancos, o elevador parou. pernas bambas, fui inundada por uma onda de …

meus cíclicos problemas domésticos

gosto de brechós. passo horas a me divertir em mercado de pulgas. adoro sebos. ácaro, poeira, partículas? que nada, tudo isso é a pátina da história. também me acalma a consciência saber que eu contribuo para que o mundo não se encha ainda mais de tranqueiras. pego as que já estão rolando por aí e me satisfaço com elas. nessas horas, sou um tipo sustentável. …

eu durmo!

ano passado eu me dei conta de que passava as madrugadas de 9 para 10 de agosto feito uma coruja louca, olhos de farol, a embalar fantasmas e pensamentos secretos. uma insônia que se repetia todo ano feito um pesadelo recorrente. claro que não era apenas na data premiada, outras noites eu via o movimento dos astros com a cabeça rodando no turbilhão que é …

endereço: no pé do arco-íris

nômade: diz-se daquele que não tem habitação fixa eu sou uma itinerante que riscou nos limites da cidade as possibilidades de endereço. embora tenha paradeiros em paraísos longe daqui, não consigo que a enxada do destino cave fundo a ponto de desprender minhas raízes. Curitiba. volta e meia reúno as tralhas e me mudo. já morei em tantas casas que nem me lembro mais. e …

perdeu, Copel

amigos de casa e do auditório, tenho notícias. parecem boas. um tanto assustada com a conta de luz e inconformada com o lance de ficar batendo os dentes de frio dentro de casa, resolvi fazer um experimento a partir da dica da minha Vânia. a ideia partiu de um produto muito lindo, que não encontrei por aqui e como o inverno não sabe esperar todos …

elegância no inverno

não. as pessoas não são mais elegantes no inverno. eu não sou. o normal do visú quando estou em casa: pijama, com meia por cima da calça, pantufa, roupão e cachecol. as vezes touca. sempre puxando o aquecedor pela casa, como se fosse um cãozinho do qual não posso me separar de jeito nenhum. se estou a ler no sofá, imensa taça de vinho, que …

vida doméstica

não sou pessoa caprichosa, prendada, rica em detalhes que transformam o lar num ambiente organizado e funcional. a desordem da minha cabeça não permite. se aqui em casa eu fosse buscar uma imagem que me representasse ipsis litteris abriria uma das portas: guarda-roupa, lugar dos potinhos de plástico, geladeira. tudo confuso e cheio de coisas inexplicáveis. é assim que sou, não me orgulho. sábado, movida …

frio

há alguns meses fiz um investimento numa loja de gente que se joga em altas aventuras. entrei, esquisitona e deslocada, em lugar especializado em produtos de alpinismo. comprei calça, meias, blusa e até cachecol para baixas, baixíssimas, temperaturas. alta tecnologia, me falaram. achei que eram providências práticas, inteligentes, duráveis e que não entulhariam guarda-roupa, malas e paciência. as tentativas iniciais aconteceram em dezembro, no inverno …

a ciranda das coisas

passei boa parte da tarde/noite de sábado a arrumar tranqueiras em casa. um cômodo. um milhão de coisas. o quarto que foi do Dé estava se transformando numa imensa sala de jogos. Lívia e eu abríamos a porta e jogávamos tudo quanto é tipo de tranqueira ali. não havia mais condições de trânsito. nem de parada. me enchi de coragem, puxei fôlego, arregacei as mangas …

meus móveis, minha vida

ensaio a troca do sofá, poltronas, baú e mesinha da sala. todo mundo está comigo há mais ou menos uns 20 anos me acompanhando pra cima e pra baixo em diversos espaços e composições. gosto dos móveis e de como se espalham por aqui, mas gosto mais ainda de tudo que me lembram. são testemunhas da minha história. criados-mudos de outros formatos que observaram tudo …

Pin It on Pinterest