Domingos,

Eu soube  ontem que você foi embora. A Lívia me contou, os amigos me contaram, a televisão me contou. Esse sentimento de solidão me contou.
Fiquei muito triste. Mais triste do que quando fui ao hospital te visitar – nunca pensei que iria visitá-lo num hospital! Mas agora sinto, minha existência egoísta, falta dessa possibilidade.
Eu tenho guardados nas gavetas da memória tantos recortes da sua presença: lá na outra casa, no Pudim, na rádio, no Torto, no Ceará, no hotel, outro hotel e outro, aqui em casa, no restaurante (todos os restaurantes), nos palcos, nas conversas sem fim pelo telefone…
Tenho todos os presentes que você me deu, e quase não tiro do pescoço o globinho laranja, a “terra em chamas”. Embora as crianças tenham crescido, guardei as roupinhas dos manequins infantis, para que daqui uns anos eu possa dizer “foi o Domingos que te deu”.
Tenho o grande troféu de vida na música feita pra mim, com meu nome, com seu talento e improviso.
Tenho, sobretudo, a sua presença bem dentro aqui. E a grande felicidade de poder desfrutar de sua amizade.
Nosso mundo, o da música e o outro, é melhor porque você pisou aqui.
Minhas mãos estão geladas, não consigo mais escrever. Um grande beijo, com toda minha gratidão!

… o bom da vida vai prosseguir…
o registro é da Lina Faria

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