e se não tivesse o chorar…

No dia em que meu primeiro filho foi embora de casa meu coração se estilhaçou em silêncio. Não fiz drama, não evoquei as armas das mamas que sacodem tudo em falas de tragédia, não partilhei sofrimento.
Silêncio.
Fui buscar explicações no juízo e me reconfortei onde montei meu pensamento desde sempre: tive a grande sorte de poder conhecê-lo e conviver com ele por todos esses anos; ele não me pertence e agarrará o mundo com a força e a vontade de sua autonomia.
Provavelmente para sempre seremos ligados, não porque sou sua mãe, mas porque nos damos bem e conversamos e torcemos um pelo outro e nos queremos felizes e nos amamos. Posso vê-lo e fruir de sua companhia, sua risada, seu papo sempre que nossos tempos se encontrarem.
Elo poderoso.
Mas ainda assim, mesmo compreendendo a independência de cada um e a liberdade, que considero o bem maior da vida, meu coração protestou.
Talvez porque antes de tudo, antes de qualquer pensamento eu sou mãe, e para uma mãe nunca é tempo de um filho ir embora…       
Não tenho vontade de ficar reclamando ou tratando do assunto com mais cores do que tem. Porque a vida é isso, chegadas e partidas. E principalmente porque esse nó que me aperta dificilmente será compreendido por outra pessoa e eu não quero ouvir palavras que já conheço e entendo. Poderia sim, deitar num ombro e chorar quieta esse sentimento de menina desprotegida que se escalou em mim; mas nem isso é o caso.
Dane-se o quarto vazio e as paredes que não multiplicam sua voz e brincadeiras!
O lance para o momento é passar por cima dessa tristeza, festejar a alegria de uma nova jornada que se anuncia e apreciar a beleza de quem tem coragem para seguir as próprias escolhas e pontilhar os próprios caminhos.  
Um brinde à vida e aos portos que sempre permitem os encontros!    
 
 
 

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