o bate-bola no meu coração


Eu não entendo lhufas de futebol. Mas pelo menos nego a ignorância total ao afirmar que sei o que são impedimento, escanteio e zona do agrião – na vida e no campo. Conheço as básicas e oficiais regras: onze pra cada lado, uma bola, só dois podem colocar a mão, objetivo da grande maioria é o gol. 

Não tenho time, se tivesse seria o Vasco, porque gosto do hino ou o Inter de Milão, porque acho a Lombardia chiquérrima ou o Fluminense, porque é simpaticíssimo o apelido Tricolor das Laranjeiras ou, ainda, o Dínamo de Kiev, para honrar o sobrenome ucraniano.

Apesar desse distanciamento, ou justamente por causa dele, o estádio é o lugar que mais me diverte: comidinha deliciosamente vagabunda, cerveja no copo, palavrão sem pudores, comunhão com centenas de desconhecidos, batucada comendo solta, radinhos de pilha, emoções à flor da pele. 
Nos primeiros minutos, reconheço espetáculo e me maravilho nos detalhes. Os recortes do todo são universos cheios de poesia, de beleza, de distrações. Tem coisa mais bonita que ver uma multidão com coração em uníssono cantando uma besteira qualquer? Ou um homem agarrado em terço e camiseta chorando feito menino? 
Depois de alguns instantes de bola rolando, fixada no jogo, me entrego às cores da arquibancada eleita e sou torcedora desde o primeiro dia daquele lado. Grito, xingo, me descabelo, não poupo mães alheias e, para mim, não há nada mais importante que o gol – e até acho que ele depende de mim, faz parte da vida do torcedor saber de seus poderes sobrenaturais ao usar a mesma camiseta, assistir ao jogo de um único jeito sempre ou qualquer outra coisa séria dessas que os sem sorte chamam de superstição. 

Não tenho time, não entendo nada do assunto, não acompanho noticiário esportivo e acho que nem gosto de futebol. Mas ir ao jogo é o maior barato!

É disso que estou falando:





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