o que pode lançar mundos no mundo

Um dia desses me fizeram a pergunta sobre o livro que mais gostei de ter lido. Na hora fiquei com medo de cometer uma injustiça, movida por minha falta de memória. Ou de dar atestado de ignorância por não citar um clássico. Ou de me mostrar superficial por citar uma literatura fora dos padrões de resposta.
 
Achei a pergunta cretina. Julguei-a impossível (ou impossible como gosta minha filha) de responder. Não tem essa de melhor livro ou o que tenha gostado mais. Pra mim, esse tipo de coisa depende do momento, da necessidade do momento, do que se vive no momento da leitura e o que se tira dela. E isso não dá para pinçar assim, num único título.
 
Penso assim. Mas a pergunta me fez fazer viagem por minha pequena biblioteca mental. E, surpresa, encontrei o livro que mudou minha vida.
 
Quando eu tinha uns 6 anos ganhei de presente “Lúcia-já-vou-indo”, da Maria Heloísa Penteado. Fiquei tão feliz por ter um livro meu, só meu, e por conseguir vencê-lo sozinha, que acabei tomando gosto em me aventurar pelas histórias escritas.
 
O livreco fininho e ilustrado pela autora fez com que eu conhecesse os prazeres da leitura. Então, se eu cair de volta numa esparrela dessas, posso responder, sem dúvidas, que o melhor que me aconteceu até hoje foi o inocente, sem intenções transformadoras e, ainda nas livrarias, “Lúcia-já-vou-indo”.      
 
“…Lúcia levantou-se, arrumou a peruca que se havia entortado na cabeça e foi buscar a cestinha que havia rolado longe. Nisso, perdeu um dia e mais outro…”
 

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