o tempo da língua

Em leituras que não têm fim por conta de um trabalho, eu revisitei e descobri textos belíssimos. Contos, crônicas, poesias, letras de música… A cada cinco minutos de leitura, uns 20 para reflexão e mais meia hora de releitura em voz alta. Sem contar quando chamo alguém para ouvir, sem contabilizar quando o copio para enviar a um amigo, sem considerar quando ele me leva outro e a outro e a outro e aí estou fora do tema, a atrasar o trabalho… (desculpa!)
Como é lindo o nosso português! O nosso brasileiro, o original e os outros…
Isso tudo me afirma, mais uma vez, a incrível cara de pau que tenho. Como posso, como tenho coragem, em me aventurar pelos caminhos da escrita com texto tão medíocre e, o pior, com ideias tão irrelevantes? A frustração é tão desgraçada!
Mas, por outro lado, quem penso que sou para escrever melhor, para fazer comparações? A humildade é tão difícil!
O que é certo mesmo, e que não é vergonha pra ninguém, é que continuarei a me encantar com a leitura, porque há muito a descobrir e também, como diria Caetano, porque gosto de sentir minha língua roçar a língua de Luís de Camões…
 
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo.

 

Mia Couto
 

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