pega na mentira

Durante a vida conheci vários tipos de mentiras: as que servem ao seu inventor, as que protegem os destinatários, as que promovem paz no ambiente, as que derrubam estruturas, as de amor, de ódio, de sossego, as de vingança. Conheci mentiras sem pé nem cabeça e outras que nem um detector seria capaz de tirar-lhes crença. 
Também elaborei e contei mentiras. Passei pela humilhação sem fim de ser pega e aprendi que mentir nem é tão difícil, afinal quase tudo nos encaminha para isso desde as primeiras experiências, mais trabalhoso é sustentar mentira. Muitas vezes outras têm que ser contadas para mantê-la e lá pelas tantas há tanta história no meio da vida que já nem se sabe mais o que é o que.  
Cresci.
Há um bom tempo só tasco uma mentira ou outra quando ela será realmente muito útil e delicadamente entrará na vida de quem a ouve sem causar prejuízo, a servir de proteção. Necessidade do mundo civilizado.
Mas tem gente que mente pra valer, mente o tempo todo, mente sem precisar, mente por covardia.
Eu estou cansada de gente que mente pra mim. Pior, gente que fica mentindo pra mim.
O mais doído dos gerúndios é o do verbo mentir. Porque quando você persegue um fio de embromação e acaba chegando à conclusão de que tudo, todas as histórias, os planos, as conversas, tudo, tudo, tudo faz parte de uma mesma meada, não há muito o que fazer. O mentiroso não confessa, se confessar você não acredita, se acreditar não perdoa, se perdoar morre de vergonha.
É ruim ser enganada, fazer papel, virar boba. É péssimo enlouquecer atrás da verdade, pensar em tudo, lupa nos olhos. Não é vida andar por aí com sede de vingança e deixar o sangue ferver na mesma temperatura do agora inimigo.
Mas a grande tragédia está em falar sobre assunto tão sério e lembrar do Erasmo Carlos… é-pá-cabá!


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