sexy Iemanjá

não me importa que a chuva caia lá fora e que eu precise de capa, galochas e cachecol para enfrentar o mundo. o calendário avisa que num instantinho será verão.
a notícia me anima. 
 
não posso mais ficar espichada em esteira lagarteando sob o sol. passei da idade e das condições de deixar as pernas à mostra. em poucos lugares vivo sem ar condicionado. não suporto o coletivo que sai da hibernação. 
mesmo assim, a contagem regressiva para o verão me coloca em estado especial.
 
o que mais me vira o juízo é pensar em dar mergulho na praia, sentir o sal na boca, as ondas lambendo minhas pernas… 
sinto saudade do mar, como se fosse gente. mais. meu desejo pelo mar é coisa quase erótica, vontade na carne, na pele, nos pelos. há fagulhas à espera de incêndio. 
 
não moro na praia. deveria, mas não moro. meu endereço torna esse encontro ainda mais especial: não corro risco de que a trivialidade de ter a paisagem e a possibilidade sempre disponíveis se transforme em coisa comum e fora das anotações. 
mas sou privada de poder numa quinta-feira qualquer dar um mergulho antes do expediente ou passear num fim de tarde sentindo a maresia me embaraçar os cabelos. 
 
de um jeito ou de outro, a boa nova é que há translação e é nela que confio para que a época chegue. 
 

 

quer comentar? não se acanhe.

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