Sinal fechado

Caçarola! Acontece cada coisa nessa vida estranha, estranha vida.
Hoje, por conta de uns problemas pessoais e umas liberdades adquiridas, saí um pouquinho mais cedo do trabalho. Coisa pouca, cerca de uma hora antes do horário habitual.
O público na rua é outro num intervalo tão pequeno. Impressionante! Quando saio ao término do tempo regulamentar, o movimento de carro é um absurdo, um tal de para avança, para avança, para avança sem fim. Todo mundo de mau humor e pouca gentileza no asfalto.
60 minutos antes, o mundo muda. Apesar das máquinas na pista que recapeiam a cidade toda, o trânsito flui.
Pois bem, eu dirigindo e cantando a plenos pulmões, como adoro fazer quando estou sozinha no carro, parei no sinal. Me distraí no meio de “Eu me sinto tolo como um viajante / Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia / E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria / É que arde o medo onde o amor ardia…”, da Thereza Tinoco, que, além de gostar, caiu feito luva para o dia de hoje.
No carro ao lado um bonitão buzinou: “Ei, por que que você não está ouvindo a Educativa? Que saia justa, hein? Te peguei!”. O sinal abriu e ele foi embora, rindo. Não sei quem era, nunca vi, nem conheço ninguém que tenha um carro daquele tamanho e valor, também não sei como ele sabe que trabalho na rádio e menos ainda como ouviu minha cantoria, porque apesar dos dós de peito, eu não atrapalho ninguém com minha música, o decibel sempre é só pra mim.
Então, como ele estava em sentido contrário e cada um seguiu seu caminho, deixa eu me explicar com o bonitão. Eu sempre estou com o rádio ligado, com a rádio. Sempre. Mas hoje, enquanto você ouvia a 97.1 FM, eu me entregava a AM 630. A Educativa é mais que uma, atenção com o dial.

3 Comentários

  1. Anonymous

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