figueira

se árvore,
nasceria figueira.
linda, falante, verdinha.
endereço definitivo,
pés bem fincados
raízes coladas na margem de um rio.

e enquanto a correnteza levasse
peixes e provocasse patos,
varresse pedras e recebesse chuva,
eu me ergueria soberba e delicada,
lúcida e honrada,
em andares, andaimes, alturas, detalhes.

deixaria que bromélias e cipós,
passarinhos e orquídeas,
me descobrissem e me habitassem.
e quando estivesse perto céu
meus galhos, tronco e membros,
se curvariam até a saudação ao rio.
nos tocaríamos em longas carícias,
quase eternas,
como se a mesma folha pudesse tocar
a mesma água por mais que um instante.
como se possível repetir qualquer paraíso.

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