na boca da noite

do lado esquerdo de onde estou, que não sei falar na precisão dos cardeais, faz uma noite muito negra, cravejada de diamantes celestes. agora pouco, um se jogou suicida. não tive tempo de fazer pedido, aquele que a gente guarda para esse tipo de momento. de qualquer maneira, uma estrela cadente deve ser indiferente o bastante para que meus anseios continuem.
faz frio e o ar da montanha obriga casaco, meia e fogo. acendi a lareira com os ensinamentos do meu irmão e ouço feliz o estalar da lenha enquanto penso se devo dizer sim ao vinho.
nesse silêncio dos bichos da noite e de uma água que escorre em cascata é que consigo ouvir todas as minhas vozes. elas não vêm decodificadas em palavras, mas numa sensação que ainda não consigo traduzir.
a vida é calma.

-> fogo, sei fazer!

 

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