separação

separação dói. sempre. dói quando planejamos, quando somos pegos de surpresa, quando queremos, quando não queremos.

qualquer adeus é triste, até aquele que se anuncia lá longe, a dar pistas, a revelar sinais, formiguinha mesquinha que carrega mágoas de um lado para outro. o que está predestinado desde o primeiro dia. o que desaba em grande surpresa.

acho que ninguém está pronto para a hora do fim e talvez o desespero que estampa o momento seja o mesmo que cobre uma verdade indiscutível: todo movimento é venerável. até o que se confunde com derrota, abandono, rejeição é sagrado porque faz a vida girar, faz pulsar sentimentos, faz o percurso de se ver e se entender melhor. e faz, principalmente, brotar a certeza de estar vivo. sofrer é também saber-se vivo, é experimentar os limites do suportável, é se virar com a própria dor e estampar a vontade de superá-la. é superá-la.

o rompimento é um inverno muito chuvoso e escuro, dura o tempo de desfolhar expectativas e enterrar ilusões. faz sofrer e caminhar em solo duro de onde nada brota.

o pior da separação nem está no presente, no romper o que vai bem, obrigada. nem no reconhecimento de ter investido tanto tempo numa coisa que terá que ficar debaixo de uma enorme e pesada pedra: passado. o mais triste mora no mesmo lugar que as esperanças. a gente se separa mais do que poderia ter sido, acontecido, realizado. a gente se separa é do futuro ou do futuro do pretérito, de adivinhações, devaneios, fantasias…

a relembrar indiscutíveis grandes momentos, a amaldiçoar brigas, a trancar numa caixa as promessas do porvir e jogar tudo num mar morto, tanto faz, o rompimento dói. mas, na mesma medida, reconstrói. ele é também impulso, desentope as narinas, abre caminhos para outras direções, ventila.
corte é movimento. e como diz a letra da música: tudo que move é sagrado…

quer comentar? não se acanhe.

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