colecionadora de vexames

não me lembro quando fui apresentada ao Google. sei bem como me espantei. qualquer coisa?, qualquer coisa mesmo?. naquela época, eu não sabia direito do que se tratava; os conceitos de sites e de buscador eram um pouco confusos pra mim. passei a trata-lo como um enorme índice que me conduzia a páginas confiáveis, testadas e aprovadas.
minha primeira reação ao seu canto de sereia foi lhe oferecer confiança. acreditei nele como uma menina diante do primeiro namorado.

com o tempo entreguei-lhe minha memória. eu já não precisava mais de compartimentos na cabeça para lembrar de datas, lugares, nomes. fiquei preguiçosa. não precisava mais fazer exercícios imensos para guardar informações.
a casa também ganhou nova roupagem. enciclopédias, arquivos, notas foram para outros lugares. não fazia mais sentido guardar tipos de documentos que ficam ultrapassados num piscar de olhos.

mas de pista em pista, de equívoco em equívoco, descobri que o Google é um amante infiel – primeiro namorado cheio de artimanhas, de alma futriqueira. não tem pudores em me conduzir em dança de fofoca com ar de seriedade.
foi então que passei a usá-lo com parcimônia, qualquer voltinha em sua companhia sempre é acompanhada de muito cuidado, atenção máxima. piso em ovos quando caminho em seu imenso índice.
trato-o como um mentiroso. preciso de provas, muitas, sobre o que ele me aponta como verdade. o Google é meu fiel inimigo, meu oponente de estimação.

mas não dá para negar que não tenho forças suficientes para enfrenta-lo. tento. as vezes sou derrotada e sigo pelas trilhas erradas que ele me aponta.

no final do ano publiquei palavras que atribuí a Drummond. fiz isso porque achei mais fácil navegar pelas ondas da web do que buscar outras fontes. mas a meu favor, posso dizer que consultei a página do Sistema de Biblioteca da Unicamp (que foi o endereço mais confiável que o Google me apontou) e ela anotou o poeta como autor.

hoje recebi um carinhoso puxão de orelhas de Deonísio da Silva. é um vexame, mas não deixa de ser uma honra ser corrigida por figura tão erudita. o bilhetinho chegou claro e inconteste: o texto não é do Drummond.

fui buscar informações e não consigo chegar a uma conclusão. uns dizem Roberto Pompeu de Toledo, outros Vilma Galvão. não posso afirmar nada, a não ser que as palavras me agradam do mesmo jeito quando as imaginei saindo da pena de Drummond…

um pedido de desculpas do tamanho de todas essas palavras ao verdadeiro autor.

Cortar o tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente…
…Para você,
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente…
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!!!

quer comentar? não se acanhe.

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