vida doméstica

não sou pessoa caprichosa, prendada, rica em detalhes que transformam o lar num ambiente organizado e funcional. a desordem da minha cabeça não permite.

se aqui em casa eu fosse buscar uma imagem que me representasse ipsis litteris abriria uma das portas: guarda-roupa, lugar dos potinhos de plástico, geladeira. tudo confuso e cheio de coisas inexplicáveis. é assim que sou, não me orgulho.

sábado, movida por um instinto de arruma-tudo, dei uma geral no banheirinho lá de trás. o cômodo estava tão entulhado de coisas que consegui achar uma churrasqueira portátil – não tenho ideia de como o lance chegou à minha casa.

quando era menina, tive aulas de Educação para o Lar. imagine?! uma professora gordota e com voz cheia nos ensinava a bordar, pregar botões, fazer barras e mais uma infinidade de coisas que não aprendi. eu a olhava e pensava sempre, sempre, sempre que deixava sua casa toda desarrumada porque passava o tempo na escola a nos ensinar como arrumar a casa. nessas aulas era nos ensinado também como deveríamos, nós meninas, sermos delicadas e mansas, preocupadas e ajuizadas, recatadas e do lar.

virei o avesso dos ensinamentos. não por rebeldia, mas por falta de talento e de interesse mesmo. sobrevivente sem rotina, todos os dias reinvento maneira para suprir as necessidades básicas. numa mesma semana é possível ver girar na mesa pato com molho de laranja e lasanha de mercado.

também perco as coisas: pé de meia, caixas de sabonete, bicabornato de sódio, tapetinho, documentos, livros. é possível que haja um buraco negro aqui.

mas comecei esse texto porque preciso comprar uma borrachinha para panela de pressão. alguém pode me dizer se isso existe e qual é o lugar secreto que essas danadas se escondem?

quer comentar? não se acanhe.

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