vontade de domingo

há dois domingos não vou à feira. a casa se mantém abastecida porque tratei das urgências da fruteira no Mercado Municipal semana passada e no Festval na retrasada. mas a falta do passeio começa a me espiar. 


gosto das voltas e do clima do MMunicipal, as pessoas conversam muito, há provas de todos os sabores, cafés cheirosos, assobios, novidades nas lojas de bebida, queijos, castanhas, grãos, ervas. há variedade, simpatia e a maravilha que é tomar café, ou cachacinha, na Maia e no Mauro! mas domingo de manhã tem muita gente por lá. difícil estacionar, os corredores ficam lotados e até as peixarias distribuem senhas. não gosto desse movimento todo. fico atrapalhada com essa lotação das vésperas de natal da minha infância. 
 
o Festval é meu companheirinho de todo dia, sei de alguns funcionários pelo nome e eles me sabem pelas preferências. rola clima de clientela de bairro, de venda da esquina. me sinto tão à vontade que me permito, vez ou outra, arrumar as gôndolas que clientes apressados modificaram e quando é preciso, e lembro, pego emprestado o carrinho de compras e levo até a 29 de Março para ajudar o cão na volta da caminhada (aprendi com o Dé). volta e meia sou surpreendida: uma vez vi para vender, naquele lugar em que ficam as revistas de fofoca, Guerra e Paz; noutra, ouvi o piano de Tom Jobim no sistema de som. apesar da variedade de produtos, da simpatia dos funcionários e das surpresas, não é possível viver as particularidades do Municipal, por exemplo. 
 
as vezes acho que gosto da feira por conta do nome: feira-livre. é assim que me sinto. sem paredes, sem telhado, sem ordem de compras, sem fila do caixa, sem objetivo único de compras. feira-livre é lugar de diversão, não diversão escandalosa, esfuziante, contagiante… é diversão de vivência e observação, de conversa e gentileza, de diferenças e igualdades. 
há também o grande barato de estar na mira da Iara Teixeira e receber a honra de um clique que vem lá do décimo sexto andar fazer companhia. ou a expectativa de encontrar o Macaxeira para o pastel. ou o agradável cumprimento dos conhecidos desse endereço tão dominical quanto a missa. ou, ainda, a coincidência de topar espontaneamente com velho conhecido. 
há pastel na feira! pastel sem paredes!
 
pena que seja tão tarde e isso acabe por prejudicar o horário de acordar. não sei se terei tempo de ir à feira amanhã, mas que estou morrendo de vontade, ah!, isso estou! um de queijo e um de palmito, por favor.
 
      

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