Alfonsina e yo

os olhos parados de Alfonsina me incomodaram. para sempre ali, grudados no nada, com uma sede de conversa, a carência dos anos, vontade de juventude.

de tudo que vi são seus olhos que não esquecerei jamais e aquela coisa que eles gritavam que era meio parecida com a minha voz quando estou muito triste e um pouco morta.

tenho medo de ficar como ela. pior, de já estar como ela, de ser uma voz muda e um olhar triste no meio da multidão eufórica.
transparente, imperceptível, sozinha, solitária, eterna.

não sei das coisas como Alfonsina, aprendi diferente, outras vias, outras ideias. mas sei que não há muitas variações nos desejos humanos. somos siamesas nos quereres. e, também por isso, temo.
não quero ter seus olhos, nem seu destino, nem sua loucura.

não quero sua tristeza em mim, embora saiba que se a reconheço e a entendo assim tão nítida é porque ela já é minha.

quer comentar? não se acanhe.

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