antes de chegar a Marte

sabe esses sites de notícias que perguntam se podem enviar notificações? pois então, vira e mexe, eles mudam a posição da resposta a que estamos acostumados. tempos atrás, estava a ler qualquer coisa, quando veio a pergunta. no gesto condicional pensei em ‘agora não’ e teclei em ‘permito’.
desde então, meu trabalho é interrompido por informes que não me interessam e que me fazem perder tempo. fico um tanto irritada, mas, por várias razões, sempre acabo lendo o bilhetinho.

dias desses, uma notícia escorregou pelo canto direito da tela do meu computador: ‘NASA permite que você tenha seu nome em Marte’.
teclei.
seduzida pelas palavras Nasa e Marte, parei tudo e iniciei a leitura.

a notícia versava sobre o lançamento da sonda InSight, que sairá do planetinha azul em maio de 2018 e voará até o planetinha vermelho (onde promete pousar em novembro de 2018) atrás de informações sobre atividades sísmicas. parece que a Agência quer estudar sobre a formação de planetas rochosos.

como esse pessoal da Nasa volta e meia inventa umas coisas muito camaradas, dessa vez o lance é encaminhar dentro do satélite o nome de quem esteja com vontade de, de alguma forma, ir junto na viagem.
coisa simples: você entra neste site, se cadastra e pronto. eles prometem, e não há motivo para duvidar, que seu nome fará parte da missão.

e para que serve? para nada, né? como a maioria das coisas bem bacaninhas.
mas com meu bilhete em mãos, comecei a pensar…

vai que no meio do caminho há mais que uma pedra, há um pedregulho desses que vez ou outra entram numa órbita qualquer para chamar atenção dos mundos da astronomia.
e vai que neste pedregulho há uma espécie de super ímã que atraia o satélite e ele pouse ali quietinho.
este super ímã foi colocado por amigos extraterrestres para detectar tentativas de amizade das figuras que andam pelo espaço. a nave-mãe chega com comemorações, bolo e champanhe intergaláctico, para selar amizade universal.
alienígenas simpáticos vasculham a geringonça e não encontram ninguém. quando, cheios de tristeza por não acharem novas companheiros das jornadas de luas e estrelas, resolvem ir embora para prosseguir a busca.
é aí, que aquele mais esperançoso, mais romântico, mais engraçadinho dos estrangeiros encontra um envelope gigante, ele sabe ler em inglês, e puxa lá de dentro uma lista imensa, milhares de nomes, todos terráqueos.
para espantar o tédio da turma que voa de sistema em sistema, resolve convidar alguns para uns drinks, com poeira estelar e torradinhas sidéreas.
em seu sorteio, puxa o meu papelzinho, me manda um e-mail, marca horário e vem me resgatar.

tchau, Terra.

quer comentar? não se acanhe.

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