das dificuldades em ser uma mula

um dia sem escrita é um dia não vivido. um dia sem leitura não existe. escrevo e leio sem compromisso com o sucesso todos os dias, faz parte da vida.

descubro, cada vez mais espantada, que minhas manias se estabelecem gritantes e me transformam num tipo esquisito.

meu quartinho é meu santuário. quando saio de lá para trabalhar em outro lugar, retiro santo protetor e o levo comigo para que percorra os mesmos caminhos e ofereça bênção e condições onde quer que eu esteja. nesses tempos de praticidade meu computador (que sempre tem meu amigo Alex Balduíno como clérigo) é meu santo maior. por conta de sua generosidade posso rezar fora da igreja.

a fé não costuma falhar, mas cá estou num reconhecimento pleno de que as vezes é preciso mais que fé, mais que carregar o santo protetor, mais que acreditar. para algumas coisas é preciso todo o templo montado, catedral de lápis, canetinhas, bloquinhos, músicas, livros, dicionários e tudo que compõe o meu quartinho de trabalho.

meu culto é a escrita. achei que pudesse rezá-lo em qualquer lugar, mas a falta do cenário me desconcentra. como sei que é impossível me trancar no quartinho nesse momento e para não atrapalhar minha prece sagrada, aproveito das benesses de trabalhar em Paris: farei visita à faculdade de Direito, porque naquele endereço antigamente se erguia a Saint-Étienne-des-Grès, igreja onde São Francisco de Sales encontrou suas respostas e se tornou além de santo, padroeiro dos escritores e jornalistas.

acenderei velas e pedirei com convicção salesiana para que essa loucura suma e que a partir de agora meu rosário valha em qualquer lugar.
de sorte que ce soit , maintenant et pour toujours.
amen!

quer comentar? não se acanhe.

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