de filho pra mãe

umas coisas na vida obrigam a gente a caminhar. não aceitam freio de mão puxado. sou grata a elas.
meu filho faz isso comigo. não entende nem aceita que sou velha. não me considera ultrapassada sem possibilidade de entender suas ideias, vontades, modernidades. também não o preocupa minha ignorância em alguns assuntos; fala, e eu que me vire atrás de informações. simplesmente dedica a mim o respeito das conversas.
é um movimento natural, bonito, estimulante. educativo. isso me mantém viva, atenta, atualizada e inteirada. sem saber, ele é responsável por manter ativa parte dos meus vinte e poucos anos.
lembro que as vezes ele chegava da faculdade, altas horas, e entrava no meu quarto para falar comigo sobre a vida privada na Idade Média como se eu soubesse de alguma coisa daquilo. dia seguinte, eu corria atrás de informações e me atualizava sobre o passado e o esperava pronta. qual o quê? dia seguinte era tempo de conversar sobre Marx. e na mesma semana tratávamos de alguma letra de Marcelo D2 ou de algum ep que estava sendo lançado.
é assim até hoje. nos falamos todos os dias. e todos os dias ele faz isso comigo. acho que por isso, também, não tenho ideia pronta sobre nada, não me tranco em assuntos ou certezas, não acho que nenhum tema ou comportamento é moderno demais para que eu possa participar.
esse estímulo todo me obriga a estar atenta e aberta para as ideias. não me curvo nem me entrego ao que desconheço. sei que algumas vezes também faço isso com ele, e talvez, também por isso, sua maturidade fora do comum. nem sempre concordamos, mas todas as vezes fica uma pontinha do que ele me disse para reflexão futura.
os dias não sabem o que os anos nos mostram: os filhos nos rejuvenescem.

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