entre enxaqueca e outras coisas

tinha planos para o feriado.

uma dorzinha de cabeça começou me beliscar devagarinho. inoportuna, inconveniente, chata.
não dei atenção. segui a vida a tratar de compromissos e recreios para ver se a vencia pelo cansaço.
nada. a danada ganhou forças. tratou de crescer como se fosse bicho.
virou enxaqueca e desmontou meus planos.

de uns tempos pra cá, a enxaqueca me persegue. não gosta da luz, dos ruídos, das vozes e dos toques.
exige solidão total. e mesmo assim, mesmo com o escurinho e o silêncio, mesmo com o isolamento e a penumbra, tem força de bigorna.

meu corpo faz tanto esforço para livrar-se dela que depois que a dita vai embora, fico exausta.
com o evento não só frustrei projetos como preocupei os filhos – detesto inquieta-los com assunto desses.

mas como os dias foram muitos, ainda sobrou tempo para:
– fazer tatuagem. em 20 minutos, mais uma marca para a coleção de acontecimentos que carrego pela vida e que gosto de lembrar.
– provar o docinho que leva o meu nome e, para minha desgraça, aumenta as medidas.
– arrumar parte dos livros. eu precisava fazer isso há muito tempo. de tanto pegar aqui e jogar ali, não estava achando mais nada e as prateleiras, armários e estantes eram a visão do inferno quando eu precisava de coisa específica.
– jogar lixo fora. claro que onde tem bagunça tem muita coisa que não faz mais sentido. a casa areja melhor agora.
– organizar o quartinho. entulhei e revirei tanto esse lugarzinho, que a medida era emergencial: ou eu estabelecia as bases para o mínimo de ordem ou teria que puxar computador, livros, pastas e muitos eteceteras para a pracinha e trabalhar de lá.
– brincar com os cães. maravilha ver o Dé como se ele ainda tivesse oito anos a se rolar pela grama em brincadeiras sem fim. melhor ainda eu também fazer o mesmo.

com o fim do feriado, a enxaqueca vencida e algumas obrigações superadas, estou convencida de que preciso de uns três, quatro dias de descanso para tratar só dos prazeres.

percebo agora que um tempo sem escrita causa danos terríveis ao texto. mesmo assim, entrego o post publicamente.
sem mais.

quer comentar? não se acanhe.

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