fora de forma

a Lívia incentivou e começamos a caminhar no parque. um antigo não-hábito que a Vera tentou, gentilmente, despertar em mim.

tenho preguiça, mas pulo da cama às sete, enfio os fones de ouvido e me largo no Barigüi. é uma rotina, já faço isso há dois dias. praticamente um recorde.

sempre tive boa resistência física. nas viagens, nos passeios, nas voltas pela cidade, nunca conheci o cansaço enquanto me distraía com paisagens ou pensamentos.
mas agora fui apresentada às consequências perversas da mistura computador mais tabagismo.
canso.
minhas costas pegam fogo. as pernas doem. o alongamento é tão difícil que se tivesse um pingo de vergonha não o faria em público.

resisto. e sigo em frente. enfrente, penso.
a impressão que tenho é que sou feita de cacos e preciso junta-los e acomodá-los para não perder nenhum pedaço pelo caminho. coisa parecida com a saída do mercado quando uma sacola estoura e a gente vai segurando os itens bem perto do corpo.
eu sou assim. virei um saco furado de laranjas.

mas faço o percurso. não paro, não diminuo o ritmo, não dou pinta do desespero. ainda abuso da boa vontade dos joelhos e subo os cinco andares de escada quando chego no prédio.

ao cruzar a porta de casa, todas as máscaras caem e rastejo as dores e humilhações até a sala. me atiro no sofá, acendo um cigarro, depois volto para o computador.

 

quer comentar? não se acanhe.

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