rotação

estou aqui, numa insônia sem fim, a pensar na vida e em meus caminhos movediços, sem saber se volto para sala e tomo mais uma taça ou se continuo na escuridão do quarto cortada por lua que já não é mais tão cheia.

neste mundo de travesseiros e cobertas, suplico por um sono que não chega.
dormir é melhor do que pensar.

a noite que desfila em minha frente é trêmula, pelo vento que sacode as janelas e pelo balanço que me provoca.

penso na terra girando em volta dela mesma. desprezo o movimento que faz em torno do sol e acho que a terra sou eu.
eu que vivo na rotação, passando sempre pelos mesmos lugares de mim, neste eterno redemoinho de inconformismo que insiste em visitar os pensamentos de ontem e de antes de ontem. e os de amanhã, de depois de amanhã.
a terra, silenciosa voando no espaço, é uma burra repetitiva, e por isso continua.
como eu.

pode ser que um dia eu entenda. ou que eu flutue por aí sem saber.
pode ser que eu levante e beba mais uma taça no meu brinde silencioso. ou que o sono despenque surpreendente em mim.

é difícil ver os ponteiros da noite e não se desesperar.

quer comentar? não se acanhe.

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