sem destino

não dá para ficar. eu não consigo. é da minha natureza ir, seguir, sair. sim, é também voltar.

nesse ano visitei Paris, Zurique, Londres, Antonina, Paranaguá, Buenos Aires… por conta do movimento, perdi o verão. caminhei contra o favorito, a terra girava pra um lado e eu a andar para outro. casacos, calças e meias, muitas meias. chuva, frio e todos os tons de cinza. não me atrapalhou, fui ver o mundo e isso sempre me surpreende de um jeito bom, permite que eu encontre em cada novo uma coisa minha que adormecia sem percepção – a melhor forma de me saber é essa.

toda a minha vontade nesse momento é de fazer as malas. de embarcar para um destino muito ensolarado e com temperatura acima dos 23 centígrados. de olhar as possibilidades do mundo, de olhar outros mundos.

pode ser que eu esteja ouvindo o sussurro de todos os santos da Bahia ou o chamado dos beija-flores de Santa Teresa ou os estrondosos tambores de Minas Gerais ou o chacoalhar das águas de Foz do Iguaçu ou a transparência caribenha. eu não sei.

ao contrário do que parece, não é só busca de diversão ou chacota de comportamento bon vivant. a considerar minhas restrições, todas elas, as vezes tudo isso pode calhar em martírio. a casa se transforma em cárcere, a pele pesa, o verbo atrofia, a cegueira chega.
eu entendo o desígnio. reconheço a hora de sair. está na minha natureza.

quer comentar? não se acanhe.

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