completamente sem assunto

Musa da inspiração,

respeitosamente lhe escrevo. e faço isso porque lhe acredito, coloco em você minha fé, minha esperança. sei de sua generosidade e de como é atenta com os que sofrem com as incapacidades de gerarem sozinhos as criações para as próprias vidas.

preciso de você.

houve um tempo em que me visitava sem ser chamada. entrava sem aviso prévio ou cerimônias e ditava frases, palavras ou assuntos que me faziam correr para o papel, agarrar a pena e tratar de escrever. tantos foram os momentos, tantos são os cadernos que se entulham aqui com esses escritos de supetão que nem sei o que fazer com eles. concordo que muitas e muitas vezes não tive competência para desenvolver o que me soprou ao ouvido, tantas de tuas ideias desperdiçadas em mal traçados textos… perdão!

hoje nos sinto como duas pontas de um cadarço desamarrado. você está de um lado do sapato e eu de outro, pisada, sem conseguir lhe enxergar. mas isso não desfaz essa ligação vital. toda a força, o destino caminhado, as estampas de convivência são o ziguezague dos trajetos que fizemos juntas e que me mantém viva. pontas separadas não significa apagar de conexão. grito seu nome, lhe procuro, quero voltar ao convívio porque preciso de todos os teus cinco, seis, quinze sentidos para poder perceber o mundo.

me envergonho por todas as vezes que esteve à minha disposição e eu lhe desprezei com trabalho mal feito; suas ideias sempre foram boas, eu é que não soube executá-las. Musa querida, pense, tenha piedade, se com você já caminhava em campo minado, sem sua presença, sou nada.

na primeira vez em que me deu a mão e me ofereceu ajuda, perdi qualquer autonomia e passei a esperar, feito passarinho no ninho, a sua chegada com alimento. não voo sem você.

se me disser que não sou merecedora por conta dos erros que cometi com tudo que me deu, rebato. você precisa continuar grande e generosa, visitar os menos afortunados de ideias, como eu, sem nada esperar, sem exigir troco nem produto.

volta, oh Musa, toca-me. desperta em mim a possibilidade, qualquer uma.

em seu altar, deposito minhas flores, minguo o corpo e suplico, volta.

 

 

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