a arte do encontro

acontece uma coisa quando a gente encontra.

encontrar o sapato pra festa, o ingresso pro show, a carta amarelada, a fotografia antiga, o amigo de que se perdeu no tempo. encontrar os óculos, as chaves, o passaporte, o diploma da faculdade. encontrar dinheiro no bolso da calça, oferta do creme preferido, passagens baratas, o caminho de volta pra casa… encontrar dá contentamento.

veja só, encontrar é verbo transitivo direto. e verbo transitivo direto precisa de um complemento para que seu sentido seja completo. encontrar alguma coisa é preciso, viver não é preciso…

quem procura, acha. algumas vezes, sem vasculhar, vem.

há encontro que é puro desencontro. um emaranhado de confusões, complexidades, barafundas. muita paciência para fisgar o fio da meada e sair.

tem encontro maior, desses que a gente nem sabe que é possível. encontro inesperado, que chacoalha a vida, muda perspectivas, resume toda a existência num instante. encontro de fazer voltar a crer, de erguer as mãos para o céu e festejar… e para esse tipo de objeto direto é bom manter as portas abertas, o ar circulando, a mesa posta, o espírito livre.
encontro sagrado não brota em árvores.

quer comentar? não se acanhe.

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