esquecimento

tenho andado preocupada com minha memória.

nunca fui muito boa com nomes, datas, acontecimentos. frequentemente sou capaz de esquecer coisas como o nome daquela japonesa que foi casada com John Lennon ou do compositor de Aquarela do Brasil, mas isso não é novidade. é traço genético mesmo, algum erro eu acho, sempre fui assim. minhas lembranças se dão a partir de outras ordens.

sou um tipo das vivências. é muito mais provável que a memória tão longínqua do sítio da tia Sofia quando eu era muito pequena e adorava fugir da casa para tomar banho na bica nunca mais me abandone e amanhã eu esqueça mesmo de responder um e-mail importante e esperado.

nunca consegui colocar uma música na vitrola para lembrar de alguma coisa. em compensação, não há o que gire no prato sem me levar para algum lugar que já visitei de alguma forma. posso não lembrar o nome de um perfume, mas sei bem o sentimento que me causa quando ele me atravessa. se esqueço do aniversário dos amigos, os lembro ao ver a cor do céu ou ao ler um verso ou em qualquer conexão que não sei explicar, mas que acontece.

sei dos meus caminhos para recordações e eles gostam de passear de mãos dadas com as sensações.

mas isso tem me atrapalhado um pouco ultimamente. esqueço de compromissos, de praticidades, de coisas mais concretas. esqueço até de algumas palavras.

tenho empurrado a responsabilidade da questão para a mala onde tudo cabe: o estresse. embora isso não resolva nada, me tira da idiotice de procurar explicação, já acho válido.

a coisa está tão esquisita que escrevi este texto até aqui, num desencadear de ideias que até consigo identificar certa linearidade, coerência e boa vontade. mas neste ponto, que considero último parágrafo, não consigo lembrar o que eu queria dizer…

quer comentar? não se acanhe.

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