every minute of day

recebo mensagem do Albach, Sérgio. fiquei tonta só com a imagem. quantas coisas cabem num minuto? nem sabia que alguma coisa inteira acontecia num único minuto. nem em corrida de Fórmula 1 consigo imaginar isso.

perdi a fala.

e o pensamento, pobre de mim, em curva descendente. com tanta coisa no planeta, e o volume só aumenta, preciso eu sair das páginas do diário privado para expor imperfeições em público? será mesmo necessário cometer as ridicularias e ficar, ponta dos pés, queixo no horizonte, enfrentando esse mar de informações?

pra que?

um pouco de sobrevivência, uma fração de veleidade, um pedaço de curiosidade, muito de me misturar ao mundo. gosto de me saber parte desse tempo. e por isso preciso contar que sou, não me basta apenas existir e pronto. é necessário estar no quartinho num silêncio de música e teclas e daqui saber que de alguma maneira sou. a coleção de minhas inutilidades não importa tanto quanto o poder de concebê-la.

talvez a minha irresponsável perda de tempo com a escrita esteja a visitar estrelas, altura astronômica. não importa, insisto. é na escrita que aprendi a conversar, ouvir, ver. acho que é por causa dessa narrativa constante que fica se formando na cabeça para explodir em desabafo de letras é que a alma não atrofia e consigo perceber os instantes longe da catarse. um raio de sol que me beija o corpo numa segunda-feira de manhã só acontece dessa forma, porque assim o penso e o sinto, porque com essas palavras ele me aparece e se apresenta. há uma eterna licença poética da realidade para quem a vive a partir da palavra. com isso, não afirmo virtudes que sei que não tenho, apenas uma forma de olhar e sentir o mundo, sempre a partir da palavra. fosse de outra forma, um raio de sol que me beija o corpo numa segunda-feira de manhã, seria um raio de sol e pronto ou um processo da Física ou ganharia acordes ou estabeleceria relação mutante na pele – tudo a depender de quem vive.

aprendi com Mia Couto que, de próprio punho, contou: “Nenhuma palavra alcança o mundo, eu sei. Ainda assim, escrevo”. nos meus 60 segundos escrevo. nos outros, tento.

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