sonhos de arquitetar

a zanzar pela internet na companhia dos sonhos de sempre, encontrei um terreninho pra vender em Antonina. coisa modesta, num lugar que nem é o meu escolhido nas noites de liberdades, mas mesmo assim fiquei interessada. o valor, que parece caber numa loucura de financiamento em tempos difíceis, me seduz. tenho cá minhas urgências de Antonina.

em suposições sem fim, comecei a pesquisar sobre construções alternativas. desde containers que já não servem para cargas até as casas de bambu, ula-ula do Catraca Livre.

cheguei a uma casinha pequena e grande, dois pavimentos, árvores no jardim e uma piscininha para os dias de maçarico e as noites de lua dourada, um deck que apoie mesinha para o rum e os petiscos de antes do almoço, uma hortinha para dar pistas falsas a respeito de minhas intimidades com o fogão.

na minha cabeça se desenhou um espaço térreo amplo, com lugar para circular sem quinas ou paredes, sem escuridão ou bloqueios. coisa que trate da cozinha e das salas de uma vez só e deixe que a amplitude das árvores e do céu, da paisagem natural ou inventada invada cada amanhecer e inunde de sol mesa, pia, sofá, cadeiras e redes. o que não for janela, bem pode ser vidro, o que não for porta, transparência. consigo pensar em móveis de madeira e cores de alegria, em flores que decoram e perfumam, em música, livros e até um mini-escritório embaixo da escada, para os dias de trabalho. dois espaços terão quatro paredes bem protegidas a assegurar privacidades: despensa e banheiro. sobre a primeira: coisa simples, prateleiras por todos os lados e talvez uma claraboia (que não sei o que é, mas gosto do nome). o segundo, com todo o simples e luxuoso cimento queimado.

na parte de cima, os quartos. queria quatro, mas serão três, para que não se transformem em prisões sufocantes. todos eles terão móveis funcionais que darão conta de guardar com classe e simplicidade tudo que é preciso: cobertas, roupas, sapatos, cosméticos, bolsas. penso em ganchos, gavetas invisíveis, portas inesperadas, mesinha para escrita de carta, secretária para iluminação de leitura à noite e janelões de bom dia. dois banheiros: um meu e só meu, outro comunitário, ambos com ducha potente, radinho e boa iluminação.

com todos os espaços arquitetados, penso em reunir os amigos para realização. já que cada um terá portas abertas, é justo que me estendam as mãos e numa corrente bonita, colorida, cheia de amor me ajudem a erguer paredes, alisar chão, pregar madeiras. que lindo seria, em finais de semana de sol, cada um a doar suas habilidades para o fazimento daquilo que mais quero. cada canto, a marca de quem gosto; cada centímetro, a prova da amizade. uma casa feita por amigos, fluente de amor. e depois, tudo pronto, poder recebe-los em almoços ou jantares, em conversas ou confissões, em música ou poesia.

minha casa em Antonina está pronta no lugar mais importante: dentro de mim, no campo dos sonhos, na vontade de realização. ela me chama, sedutora, toda vez que um carro buzina aqui na rua, sempre que entro no elevador, continuamente no alvoroço da cidade. minha casa em Antonina já me tem, pertenço a ela antes que nasça, que seja, que se solidifique. minha casa em Antonina me habita com força de lágrimas, com poder de sorriso e com sossego de passarinhos.

moro lá.

 

 

9 Comentários

  1. cris lemos
  2. Vitória
  3. Suzie Franco
  4. Daniel Conrade

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