Paris, mon amour

parece que tudo vai oscilar entre 4 e 9 graus. dia curto, frio longo, tempo úmido.
as folhas estarão naquele dourado outonal, na cor mais bonita, na reflexão mais viva da finitude.

Magritte marcou um encontro. disse que me espera no Pompidou. um misto de medo e fascínio me ligam a ele. toda vez que o vejo preciso me esforçar para esquecer essa porção esquisita que mora em mim e em como as vezes suas pinturas me refletem. é difícil encontrar um lado tão inexplicável e mesmo assim muito reconhecível no espelho. obedecerei seu chamado.

eu tinha decidido ir ao Olympia ouvir Norah Jones, mas espiando a agenda do teatro vi que Al Jarreau estará lá e troquei o plano. a oportunidade de ver Norah pode se multiplicar por muitas estações. estou com a esperança de encontrar Jarreau ainda conservado nas tintas dos 1970 e que ele faça uma aparição cantando Your Song, com calça boca de sino e cheio de sorrisos e simpatia. mas se isso não acontecer, e ele reger coro na deliciosa Banana boat song, como tem feito nos últimos tempos, tenho certeza que flutuarei e saudarei feliz Harry Belafonte – é Grammy e swing pra tudo quanto é lado.

as ruas que não levam a lugar definido, mas que têm o poder de conduzir a endereços impressionantes na solidão de cada pisada.
os músicos nas estações que disparam conforto no sufoco da claustrofobia.
as gaitinhas dentro dos metrôs que deixam a viagem mais bonita.
o sabor de cada coquille Saint-Jacques.
o pedacinho preferido do Marais.
as taças nos cafés a qualquer hora do dia.
eu tenho minhas tradições…

e as surpresas! ah! quanta coisa inesperada a gente vê quando se aventura pelo mundo. eu preciso ver o mundo, preciso abrir a gaiola e voar, assim como preciso de minhas raízes bem plantadas em casa, o lugar para onde sei que sempre voltarei.

é bom ter como companhia essa expectativa de viagem.
Paris, mon amour, estou indo.

quer comentar? não se acanhe.

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